O governo federal precisará definir prioridades para a educação em um orçamento já considerado curto. Segundo levantamento, apenas para cumprir promessas de campanha seriam necessários recursos extras da ordem de R$ 7 bilhões, sem contar propostas sem previsão de gastos, como a universalização do ensino integral e a volta do programa Ciência sem Fronteiras.
A fatia destinada ao Ministério da Educação (MEC) no ano que vem é de R$ 246 bilhões, com aumento de 6% em relação a 2026, quase nada além da inflação que já se aproxima de 4% em 2026, até setembro. O valor total destinado ao MEC, ano a ano, tem se mostrado aquém das necessidades das universidades, que contam com emendas parlamentares para sair da insolvência.
O déficit orçamentário nas universidades federais é de tal monta que as reitorias enfrentam dificuldades de custeio para manutenção da estrutura e dos serviços básicos, com grandes restrições para investimentos. O quadro convive com a ineficiência do ensino médio, a falta de estrutura e a desvalorização dos professores na rede fundamental.
Para se ter ideia da insuficiência do cobertor da educação, os bilhões de custeio para o programa Pé de Meia não saíram de uma reserva que o governo possui. Foram transferidos de ações de alfabetização e de projetos de ampliação do ensino integral.
Se o presidente da República continuar prometendo tudo, alguém vai perder, sobretudo num momento de forte instabilidade econômica em virtude da disparada da dívida pública e das pressões do mercado financeiro por um ajuste fiscal minimamente confiável.