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Imposto do pecado pode elevar preço do cigarro e da cerveja

A substituição do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) pelo IS (Imposto Seletivo) –conhecido por imposto do pecado– poderá elevar os preços de produtos sujeitos...

Foto colorida de homem segurando cigarro em fundo preto - Fumante passivo — Foto

A substituição do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) pelo IS (Imposto Seletivo) –conhecido por imposto do pecado– poderá elevar os preços de produtos sujeitos à nova tributação e pressionar a alíquota da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) em 2027, segundo especialistas. Fabricantes de cigarros e cervejas também manifestaram preocupação com os efeitos das novas regras sobre custos, arrecadação e consumo.

As avaliações foram divulgadas nesta quinta-feira (5.nov.2026), depois da publicação da MP (medida provisória) 1.399, na noite de quarta-feira (4.nov), em edição extra do DOU (Diário Oficial da União).

Segundo Thadeo Sobocinski Neto, sócio da área tributária do escritório Roveda & Marcelino, a redução do IPI a zero poderá diminuir os custos de parte da produção nacional e favorecer a queda de preços. O efeito, porém, poderá ser diferente nos setores sujeitos ao IS.

O advogado afirma que o novo tributo elevará custos desde o início da cadeia produtiva, com possibilidade de repasse ao consumidor final.

Para o especialista, o IS também não deverá substituir integralmente a receita atualmente obtida pelo governo com o IPI. A diferença poderá exigir compensações por meio de outros tributos e pressionar a alíquota da CBS.

CIGARROS: ALTA DE 55,6%

A Abifumo (Associação Brasileira da Indústria do Fumo) criticou o aumento da tributação sobre cigarros estabelecido pela MP.

Segundo a entidade, a alíquota específica atualmente fixada em R$ 2,25 terá aumento de 55,6%, equivalente a R$ 1,25, e passará a R$ 3,50.

A associação afirma que o reajuste ampliará a diferença de preços entre cigarros legais e contrabandeados, com efeitos sobre a competitividade da indústria formal e a arrecadação tributária.

O presidente da Abifumo, Edimilson Alves, disse que a decisão também terá consequências para a segurança pública.

“Aumentar a tributação sobre quem cumpre a lei, enquanto os criminosos continuam operando livremente, é penalizar a indústria formal, a arrecadação e a segurança pública. Além disso, a medida não considera a isonomia entre os setores afetados pelo Imposto Seletivo. Não existe política tributária eficiente quando ela fortalece a ilegalidade”, declarou.

CERVEJA

O Sindicerv (Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja) avaliou que a publicação da MP representa um avanço na definição das regras de transição, mas defendeu a continuidade das negociações entre o governo e os setores econômicos.

“A publicação da Medida Provisória traz um elemento importante de previsibilidade à transição. O desenho resulta de um processo de diálogo entre o governo e os setores econômicos e precisa ser avaliado considerando o conjunto das novas regras e sua consolidação normativa”, afirmou a entidade.

O sindicato defendeu que as próximas etapas da regulamentação priorizem simplificação, segurança jurídica e neutralidade da carga tributária.

“É fundamental que esse diálogo continue nas próximas etapas de regulamentação, com foco em simplificação, segurança e neutralidade de carga, dado que a população convive hoje com uma pressão inflacionária e que a cerveja no Brasil já está sujeita a uma das cargas tributárias mais elevadas do mundo”, declarou.

Fonte: Poder 360

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