O presidente do Paraguai, Santiago Peña (Partido Colorado), será submetido nesta sexta-feira (6.nov.2026) a julgamento de impeachment no Senado. A sessão está marcada para as 10h, quando Peña deverá apresentar sua defesa, segundo informou o presidente do Senado, Basilio Núñez, ao jornal paraguaio ABC Color. A sessão não tem limite de tempo. Por volta das 13h, os senadores avaliarão as provas e os argumentos apresentados pelos deputados.
Se o processo transcorrer sem atrasos, a votação final pelos 45 senadores poderá ocorrer ainda nesta sexta-feira. Para destituir um presidente no Paraguai, é necessária maioria de dois terços, ou seja, 30 dos 45 votos. A Câmara dos Deputados aprovou por unanimidade a abertura do julgamento, mesmo após Peña ter anunciado sua renúncia nas redes sociais na quinta-feira (5.nov), pressionado pela crise do Ueno Bank. Opositores defendem que ele seja formalmente retirado do cargo. Os deputados, no entanto, rejeitaram abrir pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana (Partido Colorado), que se consolida como nome mais provável para assumir a presidência até agosto de 2028. A sessão conjunta do Congresso que analisaria a renúncia terminou na quinta-feira sem votação, após deputados governistas deixarem o plenário e derrubarem o quórum.
Peña afirmou na quinta-feira que se defenderá "com argumentos e provas", mas seu porta-voz disse não saber onde ele está. Congressistas de oposição afirmaram que Peña deixou o Paraguai rumo à Argentina e pediu asilo ao presidente Javier Milei (La Libertad Avanza). O governo argentino negou que ele tenha entrado no país. Pela Constituição paraguaia, ex-presidentes se tornam senadores vitalícios, o que, segundo a oposição, daria a Peña imunidade contra processos criminais. Se for destituído, ele perde esse direito.
A crise começou na segunda-feira (2.nov), quando o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após constatar que o índice de solvência da instituição caiu para menos de 50% do mínimo exigido pela legislação. O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes, o equivalente à metade da população paraguaia, estimada em cerca de 7 milhões de habitantes. Com o colapso, milhões de pessoas ficaram sem acesso aos recursos depositados.
O MINISTRO do Interior, Enrique Riera, também renunciou na quinta-feira (5.nov) e voltará a ocupar uma cadeira no Senado. Segundo o ABC Color, que teve acesso ao decreto, Peña aceitou a renúncia e nomeou Carlos Humberto Benítez González como MINISTRO interino, acumulando a função de vice-MINISTRO de Segurança Interna. A saída de Riera faz parte de uma estratégia para que ele reassuma imediatamente o mandato e participe do julgamento. Horas antes, Riera levou pessoalmente ao Congresso a carta em que Peña comunicava a intenção de deixar a Presidência. A oposição questiona empréstimos concedidos a empresas ligadas ao Grupo Vázquez, que teriam ultrapassado limites regulatórios, e aponta possível conflito de interesses, manipulação de regras e uso do Banco Central, presidido por Carlos Carvallo, ex-presidente do Ueno até agosto de 2023.