O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, informou nesta sexta-feira (6.nov.2026) que o governo pretende apresentar ainda este ano um plano de reestruturação do setor nuclear. A declaração foi dada após reunião do Conselho Nacional de Política Energética, em conversa com jornalistas.
A medida surge em meio à definição sobre o futuro da usina nuclear de Angra 3. Em outubro, o Tribunal de Contas da União estabeleceu prazo de 240 dias para que o governo decida se conclui ou abandona as obras. Segundo Silveira, a opção foi por uma solução mais abrangente para o setor antes de responder ao prazo da Corte de Contas.
A intenção é incluir a conclusão da usina, que Silveira já declarou apoiar, em uma estratégia de reestruturação da Eletronuclear, estatal que enfrenta dificuldades financeiras. O ministro afirmou que a proposta provavelmente será encaminhada como projeto de lei.
A construção de Angra 3 começou na década de 1980 e teve várias interrupções. As obras estão paralisadas desde 2015, com cerca de 66% do empreendimento concluído e aproximadamente R$ 12 bilhões já investidos. Um estudo atualizado do BNDES estima a necessidade de mais R$ 23,9 bilhões para finalizar o projeto.
Enquanto não há decisão, a manutenção da usina paralisada custa cerca de R$ 1 bilhão por ano, considerando despesas operacionais e financeiras. Em setembro de 2026, a Eletronuclear conseguiu suspender temporariamente o pagamento de dívidas com o BNDES até o fim de 2027.