A China produziu mais de 39 milhões de toneladas de hidrogênio em 2025 e mantém a liderança mundial tanto na produção quanto no consumo do insumo, segundo relatório da Administração Nacional de Energia. O país também concentra mais da metade da capacidade global de produção de hidrogênio verde, de acordo com Zhang Lin, autoridade do Conselho de Eletricidade da China. A avaliação é de que o setor deixou a fase de demonstração para avançar em escala maior.
Em 2025, a Administração Nacional de Energia divulgou o primeiro lote de projetos-piloto de hidrogênio no setor energético, com 41 iniciativas distribuídas por 9 regiões. Baotou, na Região Autônoma da Mongólia Interior, aparece entre os principais locais de implementação. A cidade, área tradicional de mineração com recursos eólicos e solares, está montando uma cadeia integrada que envolve produção, armazenamento, transporte e usos diversos do hidrogênio verde. Cerca de 20 empresas líderes já se instalaram no local, e caminhões pesados e ônibus movidos a hidrogênio operam em áreas de mineração e em rotas urbanas.
Shenzhen, no sul do país, reúne aproximadamente 200 empresas do setor de hidrogênio e células de combustível. A indústria local superou 50 bilhões de yuans (US$ 7,4 bilhões), e os veículos de células de combustível têm a maior participação de mercado entre as cidades chinesas.
A cooperação com o Brasil abrange diferentes etapas. Em agosto de 2024, a CPFL Energia, da chinesa State Grid, anunciou parceria com a Mizu Cimentos do Brasil para implantar uma usina de hidrogênio verde no Rio Grande do Norte. O projeto prevê uma planta-piloto com energia renovável, e o hidrogênio será aplicado no processo produtivo da Fábrica Mizu Cimentos. Em novembro de 2024, os dois países assinaram declaração conjunta para criar sinergias entre a Iniciativa Cinturão e Rota e estratégias brasileiras, incluindo o Plano de Transformação Ecológica.
Na área científica e tecnológica, a FTXT Energy, subsidiária da Great Wall Motors, assinou memorando de cooperação em hidrogênio com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais, a Invest Minas e a Universidade Federal de Itajubá. A empresa desenvolverá com parceiros governamentais e empresariais brasileiros um projeto de operação demonstrativa de veículos movidos a hidrogênio. Na Conferência Anual 2025 do Conselho Empresarial Brasil-China, Luciana Costa, diretora de Infraestrutura, Transição Energética e Mudança Climática do BNDES, afirmou que instituições financeiras dos dois países cooperam para impulsionar projetos de hidrogênio verde, biocombustíveis, mobilidade elétrica e armazenamento de energia, ajudando o Brasil na Transição Energética.