O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou nesta sexta-feira (6.nov.2026) que o Brasil pode conduzir a redução da dependência global de combustíveis fósseis, apesar de ser produtor de petróleo e de manter planos de explorar novas reservas. A declaração foi feita durante reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no Palácio do Planalto.
Lula citou o pré-sal e o potencial da Margem Equatorial como exemplos do desafio de conciliar a produção de petróleo com a diminuição do uso de fósseis. Segundo o presidente, o país tem “autoridade moral” para liderar a discussão por ser produtor. “Proposta de um país que descobriu o pré-sal, de um país que acaba de descobrir possibilidade de bom e muito petróleo na Margem Equatorial brasileira. E, mesmo assim, a gente continua sendo o país que vai levar avante o debate sobre a diminuição”, afirmou.
A produção nacional está em expansão, e o pré-sal responde pela maior parte da extração. A Margem Equatorial, no litoral das regiões Norte e Nordeste, é tratada como nova fronteira exploratória. A Petrobras obteve autorização para perfurar um poço na região da Foz do Amazonas. O governo não anunciou data para interromper a exploração de petróleo e defende uma redução gradual da dependência dos combustíveis fósseis.
A proposta integra agenda que o Brasil tenta consolidar desde a COP30, realizada em Belém, em novembro de 2025, quando a presidência brasileira defendeu um mapa do caminho para afastar a economia mundial dos fósseis. O tema enfrentou resistência de países produtores e ficou de fora dos compromissos obrigatórios do acordo final. Em 3 de novembro de 2026, a presidência brasileira da COP30 apresentou documento com diretrizes para a transição. Em dezembro de 2025, Lula determinou que os ministérios da Fazenda, de Minas e Energia, do Meio Ambiente e a Casa Civil elaborassem, em 60 dias, diretrizes para um mapa do caminho nacional. Nesta sexta-feira, o CNPE aprovou o Plante (Plano Nacional de Transição Energética), instrumento da Política Nacional de Transição Energética, instituída em 2024.
Na COP31, em Antalya, na Turquia, o Brasil passará a presidência da conferência aos turcos e tentará garantir a continuidade das iniciativas lançadas em Belém. Lula pretende apresentar resultados ambientais do governo, como a redução de 560 milhões de toneladas nas emissões de gases de efeito estufa entre 2022 e 2024, e defender a continuidade dos compromissos da COP30. Ele também citou o TFFF (Fundo Florestas Tropicais para Sempre), que já reúne US$ 7,8 bilhões, e os R$ 7,8 bilhões investidos no Fundo Amazônia entre 2023 e 2025. “Não vamos chegar dando palpite. Nós vamos chegar dizendo o que nós fizemos. E, se nós fizermos, poderemos desafiar os outros a fazer”, declarou.