A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva informou nesta sexta-feira (23.out.2026) que entregou ao Tribunal Superior Eleitoral documentos sobre o cartão corporativo da Presidência, a agenda da primeira-dama, Janja Lula da Silva, os compromissos do presidente e os voos da Força Aérea Brasileira. Segundo os petistas, as procurações para acesso aos sigilos bancário, fiscal e telefônico também foram protocoladas, mas os registros ainda não foram divulgados publicamente.
A declaração foi feita depois que o senador Flávio Bolsonaro cobrou a apresentação de informações sobre o cartão corporativo de Lula no TSE. Nesta sexta-feira, a campanha do senador voltou a questionar o cumprimento do compromisso de abertura dos sigilos firmado entre as campanhas. O impasse começou após o debate presidencial no domingo (18.out), quando Lula desafiou Flávio a autorizar a divulgação de informações financeiras e registros relacionados a familiares e pessoas próximas. Posteriormente, o senador apresentou uma lista de exigências para a abertura dos sigilos, aceita por Lula.
Na quinta-feira (22.out), representantes da campanha petista foram ao TSE e protocolaram procurações que autorizam o acesso a informações bancárias, fiscais e telefônicas de Lula e de familiares. Os documentos, porém, não contêm extratos nem movimentações financeiras. Esses registros estão com bancos, Banco Central, Receita Federal e operadoras de telefonia. A equipe de Lula quer que o ministro André Mendonça, do TSE, requisite as informações às fontes oficiais e determine a divulgação simultânea em um site público. A campanha argumenta que o procedimento permitiria apresentar os mesmos registros aos dois candidatos, sem divulgação seletiva. Mendonça decidiu na quinta-feira que a renúncia ao SIGILO independe de autorização judicial e que os candidatos podem divulgar voluntariamente as informações que desejarem.
O senador Camilo Santana (PT-CE), porta-voz da campanha, declarou que a equipe de Flávio protocolou uma petição às 0h17 desta sexta-feira, depois do prazo estabelecido pelas campanhas, encerrado às 23h59 de quinta-feira. Segundo ele, o senador apresentou procurações, mas não os dados cobrados. Santana afirmou que as autorizações entregues pela equipe adversária condicionam a divulgação das informações a uma decisão judicial do TSE. Ele também disse que a petição apresentada por Flávio reproduz argumentos de Mendonça. "É algo que parece que é combinado, não estou aqui afirmando, mas é muito estranho", declarou. A campanha de Lula pediu que o ministro reconsidere seu entendimento e atue como árbitro do processo. Caso Mendonça não determine a requisição dos registros, os petistas afirmam que recorrerão ao plenário do TSE.
O acordo vale para os dois candidatos. Flávio deveria entregar até as 23h59 desta quinta-feira as autorizações pedidas por Lula, incluindo a da Alcazar Holdings, offshore na Ilha da Madeira (Portugal). A empresa é controlada por Willer Tomaz de Souza, e Flávio seria usuário máster da conta. A equipe de Flávio afirma que só abrirá os sigilos dele depois de analisar o material de Lula. O senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), escalado para essa análise, disse nas redes sociais que a campanha de Lula "não trouxe nada" ao TSE. A campanha petista nega e diz que as procurações estão anexadas ao processo. A petição informa que Lula apresentou autorizações fiscais, bancárias e telefônicas relativas a Fábio Luís Lula da Silva, Renata de Abreu Moreira, Paulo Tarciso Okamotto, Rosangela Lula da Silva, Instituto Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, Maria Beatriz Lula da Silva de Miranda, Thiago Trindade Lula da Silva e Ashtar Alexandre Soncini Lula da Silva.