A campanha à reeleição do Presidente Lula (PT) estruturou uma operação para tentar recuperar votos em Minas Gerais e reverter, no segundo turno, a vantagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) no estado. A estratégia, detalhada em documento obtido pela reportagem, prevê identificar bairro a bairro onde o petista perdeu eleitores e concentrar ações de rua com lideranças locais nesses pontos.
No primeiro turno, Flávio Bolsonaro venceu em Minas Gerais com 48,24% dos votos, quase cinco pontos à frente de Lula, que alcançou 43,33%. A diferença entre os dois foi de quase 589 mil votos. Em Belo Horizonte, Lula recebeu cerca de 592 mil votos no primeiro turno, e a campanha calcula que precisa recuperar 112 mil votos para atingir o patamar obtido pelo petista na cidade no segundo turno de 2022.
Para isso, a equipe petista mapeou regiões da capital com maior potencial de recuperação, como Vale do Jatobá, Céu Azul, Venda Nova, Tupi, Floramar e Caiçara. A orientação é intensificar ações porta a porta, caminhadas e o corpo a corpo com eleitores, além de trabalhar para reduzir a abstenção. Lideranças políticas e comunitárias foram direcionadas por caciques do PT para atuar nas áreas onde têm maior influência. A estratégia adotada em Belo Horizonte serve como exemplo de uma operação que vem sendo replicada pelo estado.
Segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 16 milhões de eleitores, Minas Gerais é considerado um estado decisivo em disputas presidenciais. O candidato que vence entre os mineiros ganha a eleição presidencial. Outro elemento acompanhado pela campanha é o posicionamento do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos). Eleito no primeiro turno com 55% dos votos, Cleitinho declarou apoio a Flávio Bolsonaro.
Pessoas próximas a Cleitinho relataram que ele teria se sentido pressionado a anunciar o voto no candidato do PL depois que o Republicanos decidiu apoiar o candidato do PL. Segundo esses aliados, ainda haveria mágoas relacionadas à eleição estadual e à postura de Flávio e do deputado Nikolas Ferreira (PL) em relação à candidatura de Cleitinho ao governo mineiro. Cleitinho também teria ficado incomodado com a postura dos dois durante o período em que perdeu o irmão e com a posterior decisão do PL de lançar um candidato contra ele na disputa pelo governo estadual. Há ainda um componente pragmático: Caso Lula seja reeleito, Cleitinho terá de manter diálogo com o governo federal sobre pautas importantes para Minas Gerais, entre elas a dívida bilionária do estado. Por isso, a aposta de lideranças do PT em Minas é de que o governador eleito não pretende fechar completamente as portas para o petista.