Os gases de Efeito Estufa alcançaram níveis sem precedentes na atmosfera em 2025, conforme o relatório anual da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), braço da ONU para clima, meteorologia e recursos hídricos. O documento, divulgado nesta terça-feira (27), destaca que essas substâncias retêm calor na Terra em uma proporção que os sistemas naturais não conseguem compensar.
A concentração média de dióxido de carbono (CO₂) na superfície terrestre atingiu 426,8 partes por milhão em 2025, o equivalente a 153% do nível pré-industrial de 1750. O CO₂ responde por 66% do forçamento radiativo, diferença entre a energia solar absorvida e a irradiada de volta ao espaço. O Boletim de Gases do Efeito Estufa, publicado desde 2004, mostra que o ritmo de aumento triplicou desde os anos 1960, passando de 0,8 ppm para 2,4 ppm na década passada, com taxa de 2,8 ppm entre 2024 e 2025.
"Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados, e essa tendência deve continuar. O CO₂ tem uma vida muito longa e, portanto, afetará o clima global não apenas por anos, mas por décadas e até mesmo séculos", afirma a vice-secretária-geral da OMM, Ko Barrett. Segundo Oksana Tarasova, responsável pela rede global de monitoramento do gás, a taxa ligeiramente menor em relação ao período 2023/2024 reflete a recuperação dos sumidouros de carbono terrestres e a redução de emissões por incêndios após o último El Niño. Ela prevê novo aumento neste ano devido à queima de combustíveis fósseis e ao desenvolvimento de um novo El Niño forte.
No ritmo atual de emissões, o planeta chegará a 2100 com 2,8°C de aquecimento, ultrapassando o limite de 1,5°C do Acordo de Paris. A ONU reconheceu na semana passada a inevitabilidade do "overshoot", mas indicou que uma transição energética acelerada e a remoção de CO₂ poderiam devolver o planeta ao 1,5°C no fim do século. Um atalho seria cortar as emissões de metano (CH₄), que responde por um terço do aumento global de temperatura e 16% do forçamento radiativo. No ano passado, a concentração de CH₄ era de 1.948 partes por bilhão, ou 267% do estimado para o período pré-industrial. Cerca de 60% das emissões atuais de metano vêm da atividade humana, sendo 40% da agropecuária, 35% da produção, transporte e consumo de combustíveis fósseis e 20% do manejo de resíduos orgânicos.
O óxido nitroso (N₂O), terceiro gás mais importante, responsável por 6% do forçamento radiativo, alcançou 339,1 ppb em 2025, ou 126% do nível pré-industrial. O boletim também alerta para dois gases de uso crescente na transição energética: o hexafluoreto de enxofre (SF₆), cerca de 23 mil vezes mais potente que o CO₂, que teve aumento recorde em 2025, e o hidrogênio (H₂), cuja concentração subiu 5,3% de 2010 a 2024. "Tanto o vazamento de H₂ quanto a persistência do SF₆ representam ameaças potenciais que poderiam comprometer os benefícios climáticos da transição energética", afirma o documento.