Daniel Vorcaro enviou uma mensagem ao Supremo Tribunal Federal alertando que pode divulgar informações sensíveis sobre Ministros da Corte e outras autoridades, caso seu pai, Henrique Vorcaro, não seja liberado para tratar problemas de saúde. O empresário está preso há mais de 90 dias e alega sofrer de diverticulite, motivo pelo qual sua defesa solicita a conversão de sua prisão preventiva em domiciliar.
A solicitação foi feita na quarta-feira (16) ao presidente do STF, Edson Fachin, para que André Mendonça possa analisar o pedido. A tramitação do caso está parada devido a um impasse em relação à relatoria das investigações ligadas ao Banco Master, que envolve o empresário e seu filho.
De acordo com informações de um interlocutor da defesa, Daniel Vorcaro acredita ter sido abandonado na prisão e não confia nas condições oferecidas pela Procuradoria-Geral da República e pela Polícia Federal para uma possível colaboração premiada. Ele afirma ter em mãos documentos que poderiam revelar relações entre autoridades e integrantes do STF, da PGR e da PF, embora essas provas ainda não tenham sido divulgadas.
A revelação de tais informações estaria atrelada à situação de seu pai. A defesa de Henrique Vorcaro também destacou que o empresário não confia que as investigações sejam conduzidas de maneira justa. Além disso, Daniel e Henrique foram intimados pela Polícia Federal para novos depoimentos no dia 30 de setembro, no âmbito de um inquérito que investiga a atuação de uma estrutura privada que teria ameaçado adversários e invadido sistemas.
A investigação envolve dois grupos, conhecidos como “A Turma” e “Os Meninos”. O primeiro é acusado de realizar ações intimidadoras, enquanto o segundo seria composto por hackers responsáveis por ataques contra críticos da família Vorcaro e do Banco Master. Os depoimentos são considerados pela PF uma das últimas etapas da apuração.
Após a prisão, Daniel Vorcaro iniciou negociações para uma colaboração premiada, mas até o momento, nenhum acordo foi formalizado ou homologado judicialmente. Vale destacar que uma delação só tem efeito legal após ser apresentada às autoridades, acompanhada de provas e seguindo os trâmites legais.