Durante uma entrevista à Super Rádio Tupi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) revelou que existe um candidato à Presidência ligado a milícias no Rio de Janeiro. Embora não tenha mencionado nomes, sua declaração é interpretada como uma referência indireta a Flávio Bolsonaro (PL). Lula destacou a importância de discutir a relação entre crime organizado e política no estado, enfatizando a necessidade de retomar territórios que estão sob domínio do crime.
Ao abordar a situação da segurança pública, Lula expressou que o Rio de Janeiro enfrenta desafios que exigem alterações nos mecanismos de combate à corrupção e à criminalidade. Ele comentou: “Eu acho que o Rio de Janeiro é esse reflexo, infelizmente”. A declaração surgiu em um contexto em que o presidente criticou a conexão entre a família Bolsonaro e o crime organizado na política fluminense.
Lula foi enfático ao criticar a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, afirmando que ele está “enterrado até o pescoço com essa relação promíscua”. Flávio teve vínculos políticos com pessoas que foram posteriormente identificadas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como integrantes de grupos milicianos. Um dos principais nomes citados nas investigações é o de Adriano da Nóbrega, ex-capitão do Bope, considerado pelo MP-RJ um dos líderes do chamado Escritório do Crime, que foi morto em 2020 na Bahia.
Além disso, Lula mencionou que a mãe e a ex-mulher de Adriano foram nomeadas para cargos no gabinete de Flávio quando ele atuava como deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio. O MP-RJ alega que parte dos salários dessas funcionárias era repassada ao esquema de “rachadinha” que estava sob investigação.
Outro ponto relevante nas investigações é Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio, que teria mantido relações com Adriano e utilizado empresas ligadas ao ex-PM em transações financeiras relacionadas à “rachadinha”. As acusações contra Flávio nesse contexto foram arquivadas após a anulação de provas pelo STJ e pelo STF.
Em suas declarações sobre segurança pública, Lula defendeu uma colaboração entre a União e os Estados, afirmando que o governo está empenhado em aumentar a participação federal no combate ao crime organizado. “Não vamos aceitar que o crime tome conta da rua, da vila, do bairro, da escola, da igreja. Vamos retomar isso”, disse.