Na última terça-feira (22.set.2026), o CEO global da Shell, Wael Sawan, afirmou que a queda na demanda da China por algumas fontes de energia foi essencial para evitar um aumento ainda maior nos preços do petróleo, que estão sob pressão devido a restrições na oferta global. A declaração de Sawan ocorreu durante o evento ROG.e, promovido pelo Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis, no Rio de Janeiro.
O executivo comentou que a China conseguiu moderar sua demanda energética para ajudar a manter o equilíbrio do sistema global. Ao responder a questionamentos sobre a manutenção dos preços do petróleo, mesmo diante de restrições, Sawan expressou surpresa com a persistência dos gargalos que, meses atrás, não se esperava que se prolongassem por tanto tempo, mantendo o barril próximo de US$ 100.
Além da redução da demanda chinesa, Sawan destacou que uma menor dependência do petróleo por parte das economias e a entrada de nova capacidade de gás natural foram fatores que contribuíram para a resiliência do sistema energético diante das circunstâncias atuais.
Desde o início do choque nos preços do petróleo, desencadeado pela Guerra no Irã, as importações da China caíram drasticamente, apresentando uma redução de 41,3% em junho de 2026 em comparação ao mesmo mês de 2025, totalizando cerca de 29,3 milhões de toneladas, o volume mensal mais baixo desde outubro de 2016.
Quando questionado se essa diminuição nas importações foi uma decisão econômica ou uma tentativa de equilibrar o mercado global, Sawan evitou especulações sobre as intenções do governo chinês. Ele ressaltou, no entanto, que a China tem uma flexibilidade energética que lhe permite alternar entre diferentes fontes. O executivo citou a substituição de viagens aéreas por trens elétricos e a utilização de eletricidade gerada a partir de carvão ou fontes renováveis.
Sawan também mencionou a capacidade da China de converter carvão em combustíveis líquidos como uma alternativa para compensar a redução na disponibilidade de petróleo bruto. Para Sawan, as ações da China parecem ser uma resposta a um problema de curto a médio prazo.