A situação dos Transplantes de Órgãos para crianças no Brasil enfrenta sérios desafios devido à insuficiência de doadores. Felipe Oliveira Costa, de 7 anos, é um exemplo dessa realidade. Após desenvolver a síndrome de Stevens-Johnson em abril de 2025, o menino teve seu fígado afetado, levando a um quadro grave que exigiu um transplante. Sua mãe, Thais Angela da Costa, de 37 anos, relata que, após seis meses de tratamento, a condição de Felipe evoluiu para cirrose hepática, e a única alternativa era a cirurgia.
Internado no Hospital Municipal Infantil Menino Jesus, Felipe foi encaminhado para o Hospital Sírio-Libanês, onde aguardou por um fígado compatível. Eduardo Antunes da Fonseca, diretor do departamento de transplante hepático do hospital, explicou que, caso não aparecesse um doador falecido compatível, a família deveria considerar a doação de um órgão vivo. Diante da falta de doadores, o pai do menino se prontificou a doar parte do fígado, o que foi fundamental para a realização do transplante.
Dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) revelam que, em 2025, as famílias recusaram doações em 45% dos casos. Essa taxa é ainda mais alta em casos envolvendo crianças. Especialistas apontam que as mortes encefálicas em crianças, muitas vezes resultantes de afogamentos ou acidentes, impactam a decisão das famílias na hora de considerar a doação. A abordagem em momentos tão delicados frequentemente resulta em respostas negativas, dificultando ainda mais a situação.
José Sampaio, do Hospital Pequeno Príncipe, destaca que, entre os adultos, a falta de conhecimento sobre a vontade do doador em vida é um dos principais motivos para a recusa. Ele enfatiza a importância de campanhas de conscientização para que as famílias discutam o tema e entendam a relevância da doação.
Em meio a esses desafios, a história de Felipe Oliveira Costa ilustra a luta por recursos que podem salvar vidas e a necessidade urgente de uma mudança na percepção sobre a doação de órgãos no Brasil. Com o aumento da conscientização e a desmistificação do processo, espera-se que mais crianças possam ter acesso ao transplante necessário, garantindo um futuro mais saudável.
Diante da crescente demanda e da complexidade envolvida, o Sistema Único de Saúde (SUS) e instituições de saúde precisam unir esforços para promover a doação de órgãos e aumentar o número de transplantes realizados, especialmente entre os mais jovens. O futuro dos transplantes infantis no Brasil depende de ações efetivas e do apoio da sociedade nesse processo crítico.