O Recife será palco, nos dias 11 e 12 de setembro, da 11ª Jornada de Mastologia de Pernambuco, que ocorrerá no RioMar Trade Center, localizado no Pina, Zona Sul da cidade. Com o tema "Ciência, inovação e cuidado: conectando presença e futuro em mastologia", o evento reunirá especialistas para debater os avanços no tratamento do câncer de mama, além de ampliar a abordagem sobre o cuidado com as mulheres após o diagnóstico e o tratamento da doença.
Organizada pela Sociedade Brasileira de Mastologia – Regional Pernambuco, a jornada contará com uma programação científica diversificada, abordando novas estratégias cirúrgicas, ferramentas diagnósticas, reconstrução mamária, inteligência artificial e os desafios que as mulheres sobreviventes enfrentam. Um dos principais temas em discussão será o descalonamento da cirurgia axilar, que visa reduzir a necessidade de intervenções invasivas, preservando a segurança do tratamento.
O conceito de descalonamento envolve a diminuição da extensão da cirurgia para remoção de linfonodos na axila, podendo até mesmo evitar o procedimento em casos selecionados. Essa abordagem busca minimizar as complicações, como o linfedema, que podem resultar de cirurgias mais extensas, enquanto mantém o controle do câncer.
A mastologista Nancy Ferreira, presidente da SBM-PE, enfatiza a importância de revisar as estratégias de tratamento atuais. "A 11ª Jornada de Mastologia de Pernambuco foi pensada para discutir temas que estão realmente transformando a nossa prática e a maneira como cuidamos dessas mulheres. Vamos falar sobre descalonamento da cirurgia axilar. Hoje temos tratamentos sistêmicos cada vez mais eficazes e pacientes que apresentam respostas excelentes. Diante disso, precisamos perguntar: podemos mudar realmente nossa estratégia cirúrgica? Em alguns pacientes poderíamos até deixar de abordar a axila. E isso vamos discutir na nossa jornada", afirma Ferreira.
Além do descalonamento, a jornada abordará também a biópsia líquida e a análise de biomarcadores, focando em como esses avanços podem contribuir para a assistência adequada das pacientes. Com o aumento da sobrevida após o diagnóstico de câncer, a discussão se estende para aspectos que vão além da saúde física, como autoestima, sexualidade, vida profissional e reintegração à sociedade.
"Hoje nossas pacientes vivem mais e melhor após esse câncer. E precisamos olhar para essa mulher além do tratamento, sua autoestima, sua sexualidade, vida profissional e seu retorno pleno à sociedade, uma sociedade que precisa empregar mais essas pacientes. Qual é o nosso papel nessa trajetória enquanto médicos que lidam com esse no dia a dia com esse tipo de paciente?", questiona Nancy Ferreira.