Em meio à devastação da Faixa de Gaza e ao sofrimento da população palestina, a estratégia de Israel na luta contra o Hamas é cada vez mais questionada, inclusive por israelenses preocupados com o destino dos reféns e o futuro da região. A comunidade internacional, após tentativas de cessar-fogo, parece se mover em direção à formalização de um Estado palestino, apoiada por parte da população israelense que anseia por paz.
A pressão internacional para o reconhecimento do direito dos palestinos a um Estado confronta o governo israelense, que continua a associar o povo palestino ao Hamas. A estratégia de busca pela paz duradoura, com a violência em Gaza, pode gerar mais ódio nas novas gerações, expostas a um cenário de horror.
Às vésperas da Assembleia Geral da ONU, líderes de Portugal, Canadá, Reino Unido e Austrália declararam seu reconhecimento. Essa antecipação sinaliza um movimento mais amplo durante a Assembleia. Diante da ineficácia das repetidas condenações dos atos de guerra, líderes nacionais, sob o aval da ONU, buscam alertar sobre as consequências caso Israel não aceite a necessidade de negociação e diálogo com os cerca de 5 milhões de palestinos.
A falta de cidadania para os palestinos historicamente não contribuiu para a paz na região. A ofensiva israelense tem acelerado o consenso global em favor de um Estado palestino. O reconhecimento do direito à cidadania, com a delimitação de um Estado, pode oferecer proteção aos palestinos, inclusive contra o terrorismo.
A existência de um Estado palestino pode não cessar imediatamente os conflitos na região, mas mudaria a configuração geopolítica, conferindo dignidade à população e abrindo caminho para uma pacificação verdadeira.