Uma pesquisa realizada pela Fundação do Câncer demonstra que o melanoma, além de se manifestar na pele, também pode surgir em áreas como os olhos, mucosas e órgãos internos. O estudo destaca a relevância do diagnóstico precoce, os avanços na imunoterapia e as dificuldades de acesso a tratamentos disponibilizados Pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O melanoma é originado nas células responsáveis pela produção de melanina, os melanócitos, e embora seja menos frequente fora da pele, sua agressividade e potencial letalidade são mais elevados, uma vez que tem maior chance de provocar metástases, espalhando-se para tecidos e órgãos adjacentes. A 12ª edição do boletim Análises e Tendências em Câncer, lançada recentemente, enfoca tanto o melanoma de pele quanto o extracutâneo, com o título Melanoma: nem sempre na pele, ressaltando que o conhecimento sobre essa doença é fundamental para seu enfrentamento.
O boletim afirma que para lidar com o câncer não basta apenas o tratamento; é imprescindível o conhecimento, que permite a prevenção, o diagnóstico precoce e a melhor organização dos serviços de saúde, além de orientar políticas públicas que possam salvar vidas.
Todos os anos, as edições do boletim apresentam um panorama epidemiológico sobre a doença no Brasil, visando alertar a população e informar os profissionais de saúde sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Os dados utilizados são provenientes da plataforma info.oncollect, que integra informações sobre registro hospitalar na área de oncologia.
O estudo também aponta que o enfrentamento do melanoma, seja cutâneo ou extracutâneo, exige uma abordagem que contemple a prevenção, o diagnóstico precoce, a qualificação dos registros e o acesso oportuno ao tratamento. Isso envolve uma articulação eficaz entre a atenção básica e especialidades médicas como dermatologia, oftalmologia e oncologia, entre outras.
Analisando a mortalidade por melanoma, o estudo revela que a taxa de óbitos é maior entre homens, com 10 óbitos por 1 milhão, em comparação a cinco óbitos por 1 milhão entre mulheres. A análise regional indica que áreas com menor incidência e mortalidade apresentam maior letalidade, como é o caso da Região Norte, onde o diagnóstico tardio e as barreiras no acesso à assistência especializada são preocupantes.