As empresas chinesas Huawei e Xiaomi apresentaram recentemente seus novos smartphones dobráveis, com preços que refletem um aumento significativo devido ao encarecimento dos componentes. A Huawei introduziu o Mate XT 2, um smartphone dobrável em três partes, com o preço inicial de 19.999 yuans (US$ 2.980), 2.000 yuans a mais que seu modelo anterior. A Xiaomi, por sua vez, lançou o 18 Fold, que começa em 10.999 yuans (US$ 1.639). Ambas as empresas, representadas por Yu Chengdong, presidente do grupo de negócios de consumo da Huawei, e Lei Jun, CEO da Xiaomi, destacaram que o aumento nos custos de armazenamento é o principal fator que impacta os preços durante os lançamentos.
Além dos novos dispositivos, outras marcas, como a Honor, implementaram aumentos retroativos de até 20% nos preços de modelos já existentes. Um relatório da Counterpoint Research, datado de 4 de setembro, indicou que os novos lançamentos em 2026 tiveram um aumento médio de 25% em relação aos seus antecessores, refletindo a alta global nos custos de armazenamento.
A estratégia de focar em produtos premium indica uma mudança significativa no setor, que enfrenta uma diminuição no mercado de celulares de baixo custo. A crescente pressão dos preços dos chips de memória está levando os fabricantes a se afastarem do segmento de smartphones mais acessíveis, que, segundo a IDC, está em declínio. As vendas de dispositivos abaixo de US$ 100 caíram quase 50% no segundo trimestre de 2026, com a alta nos custos impactando fortemente o segmento de entrada. A IDC comentou que a era dos smartphones baratos chegou ao fim.
Com a retração do mercado, as empresas estão cada vez mais concentradas em modelos dobráveis, que geralmente têm preços três vezes superiores aos dos smartphones tradicionais. Essa transição ocorre em um momento em que a Apple se prepara para lançar seu primeiro iPhone dobrável, o que deve impactar ainda mais o segmento, que já enfrenta dificuldades. Nabila Popal, diretora sênior de pesquisa da IDC, previu que as remessas de dobráveis da Apple devem ultrapassar 17 milhões de unidades até 2027.
A mudança para dispositivos premium se dá em um contexto de desaceleração mais ampla do mercado, que enfrenta escassez de componentes e uma demanda reduzida dos consumidores. O segundo trimestre de 2026 registrou uma queda de 11% nas remessas globais de smartphones, alcançando o menor nível desde 2013. Marcas como Xiaomi, Oppo e Vivo, que têm forte presença no segmento de baixo custo, relataram quedas acentuadas em suas vendas, preparando o terreno para um cenário ainda mais desafiador no segundo semestre do ano.