O iFood ingressou com ação judicial no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo contra a Keeta, plataforma de delivery ligada à chinesa Meituan. O processo foi protocolado na quarta-feira (4.nov.2026) e aponta práticas anticompetitivas, entre elas a adoção de preços predatórios.
Segundo o iFood, a Keeta mantém no Brasil uma operação deficitária financiada por recursos da matriz, com o objetivo de atrair clientes e sufocar a concorrência. A ação também menciona aliciamento ilícito de restaurantes exclusivos do iFood, com incentivos para quebrar a exclusividade e acesso a dados confidenciais.
O iFood pediu perícia econômico-financeira por perito judicial para medir o volume de subsídios concedidos pela Keeta. De acordo com a empresa, esses recursos sustentam cupons e descontos que criam uma demanda artificial. "O aumento artificial dos pedidos cria uma 'bolha de cupons', que tende a estourar quando esses subsídios são suspensos", afirmou o iFood em nota, citando como efeitos o aumento de preços ao consumidor, a queda nas vendas dos restaurantes e a redução do trabalho dos entregadores.
A Keeta rebateu e classificou a ação como uma estratégia da plataforma monopolista para manter sua posição dominante no setor, atacando uma empresa entrante. A empresa chinesa afirmou ter cerca de 80% de participação de mercado no Brasil e disse que a concorrente consolidou essa posição com cláusulas de exclusividade impostas aos restaurantes. A Keeta também mencionou investigação do Cade contra o iFood por descumprimento de acordo sobre exclusividade.
A Keeta informou estar presente em 32 cidades, incluindo a região metropolitana de São Paulo, e que usa cupons para incentivar a experimentação inicial pelos usuários, prática que considera comum no mercado. A empresa disse ainda que atua no país há um ano e que enfrenta cláusulas de exclusividade e banimento. O iFood não informou prazo para análise do pedido de perícia.