O Partido Liberal (PL), liderado por FLÁVIO BOLSONARO, se viu no centro de uma polêmica após compartilhar uma imagem do candidato à Presidência que lembra uma das propagandas mais notórias de Benito Mussolini, o ditador italiano e fundador do fascismo. A semelhança gerou discussões sobre a intenção da imagem e seu significado histórico.
A composição visual é similar a uma propaganda utilizada pelo regime fascista italiano em 1934, onde o rosto de Mussolini é cercado pela palavra "SÌ", que em italiano significa "sim". Para entender a relevância dessa comparação, é necessário retornar à Itália da primeira metade do século XX, quando Mussolini estabeleceu um regime autoritário que cerceou as liberdades democráticas, perseguiu opositores e consolidou o fascismo como um movimento político dominante.
Benito Mussolini governou a Itália entre 1922 e 1943, após chegar ao poder por meio da Marcha sobre Roma, quando o rei Vítor Emanuel III o nomeou primeiro-ministro. Posteriormente, ele transformou o país em uma ditadura, eliminando instituições democráticas e centralizando o poder em suas mãos. Seu governo foi caracterizado pela repressão a adversários, censura à mídia e a proibição de partidos políticos.
O fascismo, defendido por Mussolini, promovia um Estado autoritário, fundamentado no nacionalismo exacerbado, na obediência ao líder e na rejeição ao pluralismo político. Durante seu governo, Mussolini aproximou-se da Alemanha nazista de Adolf Hitler, adotando leis raciais antissemitas em 1938, que restringiram direitos da população judaica. Além disso, a Itália sob seu comando integrou o Eixo durante a Segunda Guerra Mundial, ao lado da Alemanha nazista e do Japão.
A imagem gerou reações diversas e, em resposta à controvérsia, o PL emitiu uma nota esclarecendo que o material foi criado pelo Partido Liberal Jovem (PLJ), a ala jovem da sigla. O partido negou qualquer intenção de alusão à propaganda de Mussolini, afirmando que a publicação foi inspirada em peças gráficas da antiguidade.
Após a repercussão negativa, o PL retirou a imagem do ar e pediu desculpas pelo equívoco, reconhecendo a possibilidade de interpretação equivocada decorrente da coincidência visual. Apesar da exclusão da postagem, capturas de tela da montagem continuaram a circular nas redes sociais, prolongando o debate sobre a associação.