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Lideranças ianomâmis pedem proteção e continuidade de políticas ambientais

Em audiência na subcomissão dos povos yanomami, líderes indígenas cobraram água potável, proteção às comunidades e sequência das ações de recuperação ambiental....

Lideranças indígenas defenderam a ampliação da proteção às comunidades ianomâmis, o acesso à água potável e a continuidade das políticas públicas durante audiência da Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami, ligada à Comissão de Direitos Humanos (CDH), nesta terça-feira (27). A presidente da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Lúcia Alberta Baré, apresentou metas de recuperação de áreas degradadas pelo garimpo, com investimento previsto de R$ 37,3 milhões nos próximos cinco anos.

O diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro, Edson Baré, defendeu o fortalecimento das parcerias institucionais para dar continuidade às iniciativas nas comunidades. Segundo ele, a falta de recursos financeiros compromete a manutenção de projetos, que também dependem do diálogo entre instituições e do envolvimento das prefeituras. Baré reconheceu avanços em áreas como educação, mas apontou a necessidade de ampliar o acesso à água potável e alertou para os efeitos do garimpo sobre os recursos naturais. "De modo concreto, temos avanços, sim. As escolas e os professores, por exemplo. Mas a gente vem buscando métodos para levar as políticas todas a chegarem a quem mais precisa, na ponta. Uma preocupação premente é conseguirmos levar água potável a muitas das nossas regiões, uma vez que a existência de muita garimpagem acaba prejudicando a qualidade dos nossos recursos naturais", afirmou.

O presidente da Urihi Associação Yanomami, Waihiri Hekurari Yanomami, pediu proteção às comunidades, especialmente às crianças, e maior diálogo entre os Povos Indígenas e os órgãos governamentais. Ele afirmou que o Congresso Nacional deve apoiar as medidas de proteção previstas na Constituição. "Precisamos, com certeza, do apoio do Congresso Nacional para sermos protegidos. Somente com o diálogo vamos conseguir nossos objetivos. Garantir segurança alimentar, proteção de crianças e mulheres, ações em saúde nas comunidades são exemplos de áreas que efetivamente precisamos", disse.

A presidente da subcomissão e da CDH, senadora Damares Alves (Republicanos-DF), afirmou que o colegiado observa avanços nas tratativas realizadas durante as audiências públicas e nas diligências. A senadora elogiou as iniciativas apresentadas e informou que fará um levantamento dos investimentos destinados pelos órgãos responsáveis à recuperação ambiental. Segundo ela, o grupo de trabalho criado pela subcomissão está em funcionamento e reúne dados, informações e relatórios. "Esta subcomissão criou um grupo de trabalho que está se reunindo, e em pleno funcionamento. Além dessas audiências, temos nos reunido na busca de dados, informações, relatórios. E quero informar também que, nesta semana, estaremos no Amazonas, em São Gabriel da Cachoeira, para, in loco, fazer uma audiência pública e ouvir as autoridades também lá", afirmou.

Lúcia Baré apresentou dados sobre a degradação ambiental causada pelo garimpo na região. Segundo ela, entre 2016 e 2024, foram identificados 63,66 quilômetros quadrados de florestas e cursos d’água degradados. O impacto teria atingido aproximadamente 63,1% das comunidades indígenas da região, o equivalente a 256 das 406 comunidades consideradas no estudo. De acordo com a presidente da Funai, o plano de recuperação prevê intervenções em 356,7 hectares nos próximos cinco anos, com investimentos estimados em R$ 37,3 milhões no período. A meta de longo prazo é recuperar até 1.057,8 hectares de áreas degradadas em dez anos. "Todas as ações seguem sendo executadas na Terra Indígena Yanomami com muito compromisso, seriedade e diálogo com os Povos Indígenas. Em novembro, faremos uma oficina de prestação de contas para todas as lideranças da terra indígena, para que eles entendam a situação de cada um desses projetos", informou. Lúcia Baré disse ainda que o órgão estabeleceu parceria com a Universidade de Brasília (UnB) para desenvolver ações de recuperação ambiental que considerem a interculturalidade e o diálogo com os Povos Indígenas. A iniciativa resultou no Plano de Recuperação Ambiental Yanomami Ye'kwana, elaborado com a participação de lideranças e pajés. "Trata-se de uma construção coletiva, feita com a participação de pajés, de lideranças. E, nesse documento, temos o diagnóstico de todas essas áreas que foram degradadas pelo garimpo e resultaram em problemas como o desaparecimento de caças e de peixes porque o rio ficou poluído por mercúrio. Ademais, o barulho dessas máquinas espantou esses animais, contribuindo com a insegurança alimentar. E o tempo para se efetivar esse plano está previsto em dez anos, porque recuperar áreas degradadas requer um tempo muito grande", explicou.

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