O técnico Lisca manifestou preocupação com o rumo do futebol gaúcho e avaliou que os clubes do Rio Grande do Sul perderam parte de suas características tradicionais. Em entrevista ao programa Fórum Esportivo, ele comparou o perfil histórico de Internacional e Grêmio com o momento atual e chamou atenção para a quantidade de jogadores estrangeiros no clássico Gre-Nal.
Com passagem pelo comando do Internacional em 2016, Lisca lembrou que o futebol do estado sempre se destacou pela competitividade, pela imposição física e pela marcação forte, sem abrir mão da qualidade técnica. Segundo ele, esse conjunto de atributos foi sendo deixado de lado. "Acompanhando de perto aqui, cara, a gente perdeu um pouco a nossa identidade", afirmou o treinador durante a entrevista.
Lisca citou exemplos de equipes que marcaram época. Mencionou o Internacional da década de 1970, tricampeão brasileiro, com jogadores como Falcão e Figueroa, que já traziam a força como característica. Também recordou o Grêmio comandado por Felicão. Para ele, esses times serviram de vitrine para atletas brasileiros e ajudaram a projetar nomes no cenário nacional e internacional.
O ponto central da análise foi o número de estrangeiros no último Gre-Nal. De acordo com Lisca, 18 atletas de fora do país participaram do clássico, sem contar os integrantes das comissões técnicas. O apresentador João Victor Amorim reagiu com humor: "Ninguém falava português no vestiário." O treinador reforçou a surpresa com a contagem e usou o dado para ilustrar a mudança no perfil dos elencos gaúchos.
Além do Internacional em 2016, Lisca treinou o Juventude em 2013. No futebol pernambucano, comandou o Náutico em 2015 e o Sport em 2022. O currículo inclui passagens por Ceará, América-MG, Vasco, Santos, Avaí e Vila Nova, entre outros clubes. Seu trabalho mais recente foi no Botafogo-PB, entre fevereiro e abril de 2026, quando dirigiu a equipe em 17 partidas.