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Lula amplia vantagem em cidades onde Bolsa Família supera emprego formal

Presidente cresceu de 62,97% para 68,12% dos votos válidos nesses municípios, enquanto Flávio Bolsonaro oscilou de 32,14% para 31,88%....

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conquistou 2,1 milhões de votos adicionais do primeiro para o segundo turno nas cidades brasileiras onde o número de beneficiários do Bolsa Família supera o de pessoas com Carteira de Trabalho assinada. Esse avanço representa quase metade da diferença de 4,4 milhões de votos que o petista obteve sobre Flávio Bolsonaro (PL) na vitória da disputa presidencial.

Em 2.647 dos 5.569 municípios do país, há mais famílias inscritas no programa social do que empregos formais. A 17 dias do primeiro turno, Lula anunciou reajuste de 15% no benefício, com pagamentos previstos para o fim de outubro, mas o Planalto decidiu antecipar tudo para antes da votação. O governo também enviou milhões de mensagens por WhatsApp para quem recebe o auxílio. O total de famílias cadastradas é de 19,3 milhões, e o piso passou de R$ 600 para R$ 691.

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro teve 32,14% dos votos válidos nesses municípios, percentual que caiu para 31,88% na segunda rodada, queda de 0,26 ponto. Lula subiu de 62,97% para 68,12%. Em números absolutos, o atual presidente passou de 18,4 milhões para 20,5 milhões de votos nessas cidades, enquanto o senador foi de 9,4 milhões para 9,6 milhões, alta de 195 mil. Com a queda da abstenção de 20,1% para 19,4%, Flávio ficou praticamente estagnado em termos percentuais e os novos apoios foram quase todos para o PT.

Lula venceu em 2.287 desses 2.647 municípios no segundo turno, contra 2.232 no primeiro. Flávio saiu de 414 para 359 vitórias no grupo. Em Marquinho (PR), houve empate e a cidade não foi considerada para nenhum dos candidatos. Perguntado em entrevista à TV Globo em 15 de outubro se a decisão de reajustar o benefício teria caráter eleitoreiro, Lula disse que não deu o aumento antes porque não sabia que o programa havia ficado três anos com o valor congelado.

A estagnação de Flávio nessas cidades pode ter sido influenciada por uma fala da coordenadora econômica de sua CAMPANHA, Daniella Marques, sobre uma regra de transição de dois anos para beneficiários que conseguissem emprego formal ou abrissem um negócio. Petistas distribuíram o áudio nas redes sociais e em grupos de WhatsApp sugerindo que a ideia era dar prazo para o recebimento do auxílio e depois retirar as pessoas do programa. Aliados de Flávio explicaram que não se tratava disso, mas a narrativa de que o benefício estava em risco já havia viralizado. Um vídeo do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) criticando ações do PT no Nordeste também foi muito compartilhado na região, sem que seja possível dimensionar seu real impacto.

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