O Vereador Milton Leite (União), presidente da Câmara Municipal de São Paulo, foi transferido da Cadeia Pública de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, por volta das 9h desta terça-feira (20/10). O destino do político não foi informado. A decisão foi motivada por supostos favorecimentos na carceragem da unidade.
A Operação Custódia (In)Fiel, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de São Paulo, na sexta-feira (16/10), apura regalias concedidas a presos. A investigação começou após denúncia anônima de que Milton Leite recebia visitas de políticos e amigos fora dos dias e horários autorizados, inclusive à noite e aos fins de semana. Um carcereiro suspeito de facilitar as regalias teve cerca de R$ 155 mil e US$ 10 mil apreendidos.
Entre os políticos que teriam visitado o ex-vereador sem autorização formal estão Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, e os deputados estaduais Delegado Olim (PP) e Rogério Franco (PL). A defesa de Milton Leite negou as suspeitas de favorecimento. Em nota, afirmou que ele não recebe nem recebeu regalias ou tratamento diferenciado e que cumpre as mesmas regras dos demais custodiados.
A Polícia Civil paulista afastou, no sábado (17/10), um carcereiro, três delegados e um investigador que atuam na Seccional de Mogi das Cruzes. A Secretaria de Estado da Segurança Pública confirmou as medidas e a instauração de Inquérito Policial e Procedimento Correicional Disciplinar. De acordo com a pasta, a medida garante a continuidade das apurações sem interferências.
Milton Leite foi preso em setembro durante a Operação Vectura Corrupta, contra a infiltração do PCC no transporte público. A investigação aponta um suposto esquema com empresas de ônibus, advogados e agentes públicos. Ao menos 12 das 22 empresas de transporte coletivo da capital seriam, em tese, controladas pela facção. O político foi apontado como dono da Transwolf.