A recente criação de um mercado aéreo comum na América do Sul, com a inclusão de novas companhias aéreas no Brasil, abre oportunidades significativas para a Dufry expandir suas operações em aeroportos brasileiros e de toda a região. Gustavo Fagundes, CEO do Grupo Avolta, que controla as lojas duty free no Brasil, acredita que o aumento do fluxo de passageiros proporcionado por essa iniciativa permitirá a instalação de novos estabelecimentos em aeroportos que atualmente não têm um movimento suficiente para justificar operações.
Fagundes menciona que, com o aumento do fluxo, aeroportos menores, que hoje apresentam um movimento reduzido, poderão se tornar viáveis para operações comerciais. "Na hora que você aumenta o fluxo, você começa a habilitar aeroportos que são menores, que hoje têm um fluxo muito pequeno, onde você não consegue operar por não ter uma escala mínima", explica o executivo. Atualmente, a Dufry está presente em 12 aeroportos internacionais no Brasil.
A proposta de um "céu único" na América do Sul, liderada pelo Ministério de Portos e Aeroportos do Brasil, avançou com a assinatura do Acordo de Liberalização Aérea Sul-Americana em julho. Este memorando de entendimento foi firmado entre Brasil, Argentina, Chile e Paraguai e visa criar um grupo de trabalho que estudará a padronização das regras entre os países. Uruguai e Bolívia também se uniram à iniciativa posteriormente.
O objetivo final desse acordo é permitir que as companhias aéreas operem voos domésticos entre os países vizinhos, algo que atualmente é proibido pela legislação brasileira. Esse modelo já é comum em regiões como a União Europeia, África e Oceania, e sua implementação pode trazer mudanças significativas para o setor aéreo na América do Sul.
As projeções do setor aeroportuário indicam que a entrada de novas companhias aéreas pode elevar o fluxo de passageiros no Brasil, que alcançou a marca recorde de 130 milhões de viajantes, tanto domésticos quanto internacionais, em 2025. Fagundes observa que, em outros países onde a Dufry atua, o crescimento de companhias aéreas de baixo custo tem gerado impactos positivos no volume de turistas.
Ao considerar o potencial aumento do fluxo de passageiros, o CEO da Avolta destaca que existem aeroportos no Brasil que podem ser muito beneficiados com essa mudança. Ele enfatiza que a Dufry faz parte desse ecossistema e acompanha de perto as transformações no setor.