A Câmara dos Deputados do Paraguai vai realizar duas sessões extraordinárias nesta quinta-feira (5.nov.2026) para analisar moções de impeachment contra o presidente Santiago Peña e o vice-presidente Pedro Alliana, ambos do Partido Colorado. A convocação foi feita pelo presidente da Casa, Raúl Latorre, também do Partido Colorado.
Os pedidos foram protocolados na quarta-feira (4.nov) por 35 congressistas, em uma Câmara com 80 cadeiras. Os oposicionistas acusam o governo de conflitos de interesse, uso indevido de fundos de pensão e acobertamento institucional na gestão do colapso do Ueno Bank, que deixou cerca de 3 milhões de clientes sem acesso às contas.
Peña ainda não se pronunciou publicamente sobre o processo. No mesmo dia 4, em publicação no X, ele pediu que os congressistas priorizem os interesses dos prejudicados pela crise e afirmou que os responsáveis por irregularidades serão levados à Justiça "sem exceção". Economista conservador no cargo desde 2023, o presidente foi acionista até março de 2025 do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, que administra cerca de US$ 850 milhões em fundos públicos.
O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank na segunda-feira (2.nov), após constatar descumprimento dos requisitos mínimos de solvência. A medida provocou a renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, na terça-feira (3.nov). Na quarta-feira (4.nov), Peña indicou o economista Raúl Vera Bogado para comandar o BCP, pedido enviado ao Congresso para acordo constitucional. Vera já presidiu a instituição entre 2001 e 2002.
O Ministério Público do país determinou a abertura de investigação criminal e a detenção de 8 dirigentes e ex-dirigentes do Ueno Bank, entre eles o presidente da instituição, Juan Manuel Gustale, e o empresário Miguel Vázquez.