O advogado Wallace de Oliveira protocolou uma reclamação disciplinar no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) nesta terça-feira, 1º de setembro de 2026, solicitando a apuração da conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet. O pedido inclui o afastamento cautelar de Gonet de seu cargo e seu impedimento de atuar no caso do Banco Master. O registro da reclamação foi feito no sistema eletrônico do CNMP sob o número 01.006659/2026.
A solicitação de Oliveira se baseia em um relatório da Polícia Federal, divulgado na mesma data, após a liberação de sigilo por parte do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal. Este relatório menciona mensagens que, em tese, indicariam uma conexão entre Gonet e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, através de um intermediário. Além disso, o documento relata o custeio de uma viagem a Londres para o filho do procurador-geral e inclui mensagens nas quais Vorcaro pede intervenções de Gonet para reverter medidas investigativas.
O advogado requer que a Corregedoria Nacional do Ministério Público conduza a investigação sobre os fatos. Oliveira argumenta que a reclamação não presume a responsabilidade de Gonet, mas busca verificar se as alegações contidas no relatório da PF configuram uma violação dos deveres funcionais conforme a Lei Complementar 75 de 1993.
Outro ponto levantado por Oliveira é a questão do procurador-geral presidir o CNMP, o que suscita preocupações sobre a autonomia e a imparcialidade do órgão responsável pelo controle administrativo e disciplinar do Ministério Público. Este é o primeiro pedido de providência que ele apresenta ao conselho contra um membro da alta cúpula da instituição.
O Poder360 entrou em contato com a Procuradoria-Geral da República para obter um posicionamento sobre a reclamação disciplinar contra Paulo Gonet, mas não houve retorno até o fechamento desta reportagem. A matéria será atualizada caso uma resposta seja recebida.
Oliveira enfatizou a importância do afastamento cautelar, afirmando que, caso os fatos sejam confirmados, a legitimidade da prerrogativa do PGR pode ser comprometida. O advogado destacou que essa medida não visa punir antecipadamente, mas sim preservar a integridade da apuração e a credibilidade do cargo. "Já representei o Ministério Público em outras frentes. Desta vez a instituição precisa olhar para dentro", concluiu o advogado.