A dúvida sobre a possibilidade de comer sushi durante a gestação é comum entre mulheres que descobrem a gravidez. A resposta depende do tipo de preparo: peixes crus exigem cautela, enquanto opções cozidas podem continuar no cardápio.
A preocupação com o peixe cru existe porque a imunidade da gestante sofre alterações naturais para proteger o bebê, tornando o organismo mais suscetível a infecções transmitidas por alimentos. A listeriose, causada por uma bactéria que pode atravessar a placenta, é a principal delas e, em casos graves, está associada a aborto, parto prematuro e infecções no recém-nascido. A bactéria tem uma característica traiçoeira: consegue se multiplicar até dentro da geladeira. O peixe cru também pode conter parasitas e outras bactérias que causam intoxicação alimentar, e um quadro de vômitos e diarreia intensa preocupa pela desidratação. Por isso, a recomendação mais segura no Brasil é não consumir peixe cru durante a gestação.
A boa notícia é que dá para frequentar o restaurante japonês. Entre as opções seguras estão sushis com peixe ou frutos do mar bem cozidos, como camarão empanado ou cozido e kani; skin grelhado, feito com a pele do salmão bem passada; peças vegetarianas com pepino, manga, cenoura, abacate ou shiitake; peixes grelhados, como salmão ou atum preparados no ponto; sopa de missô, guioza e yakissoba. Devem ser evitados sashimi, niguiri e temaki com peixe cru; ostras, vieiras e outros frutos do mar crus; salmão defumado a frio, que não passa por cozimento; e atum em excesso, mesmo cozido, por poder acumular mercúrio.
O medo do sushi não pode afastar a gestante do peixe. Ele fornece ômega-3 do tipo DHA, fundamental para a formação do cérebro e dos olhos do bebê, além de proteína, iodo e vitamina D. O ideal é consumir peixe cozido duas a três vezes por semana, dando preferência aos de menor teor de mercúrio, como salmão, sardinha, tilápia e pescada. Os grandes predadores, como cação, peixe-espada e atum em grande quantidade, devem ser limitados.
O risco de uma infecção grave é baixo, mas as consequências podem ser sérias para a mãe e para o bebê. São alguns meses de pausa no sashimi em troca de tranquilidade. Até lá, as peças cozidas e vegetarianas dão conta da vontade, e o restaurante japonês por completo volta a fazer parte do menu depois que o bebê nascer.