O senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, gerou controvérsia ao afirmar, recentemente, que pretende promover mudanças na Constituição. O discurso não é inédito entre os candidatos à presidência, uma vez que em 2018, Luiz Inácio Lula da Silva também manifestou intenção de reescrever a Constituição Federal, mesmo enfrentando a inelegibilidade após sua condenação em segunda instância, que o levou a cumprir pena em Curitiba.
Na versão inicial de seu plano de governo de 2018, Lula não apenas mencionou a necessidade de “mudar a Constituição”, mas também a convocação de uma nova Assembleia Constituinte, com o objetivo de criar a oitava Constituição do Brasil. O texto estabelecia que para garantir as conquistas democráticas da Constituição de 1988 e implementar reformas estruturais, seria necessário um novo Processo Constituinte. O plano propunha a construção de condições sociais para a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte, que seria livre, democrática e unicameral.
A proposta de Lula, no entanto, enfrentou forte resistência de diversos setores. O então presidente do STF, Dias Toffoli, criticou a ideia, argumentando que ela poderia comprometer a estabilidade institucional conquistada desde 1988. A reação negativa foi suficiente para levar Fernando Haddad, que assumiu a candidatura do PT na ausência de Lula, a revisar sua posição sobre o tema.
Haddad apresentou ao menos duas novas versões de seu plano de governo ao TSE, nas quais retirou qualquer menção à nova Constituição. Durante uma entrevista ao Jornal Nacional, o ex-ministro explicou que optou por propor as reformas necessárias através de emendas constitucionais, um caminho que ele considerava mais viável.
Anos depois, em 2026, Flávio Bolsonaro também se manifestou sobre a questão, afirmando que respeitar a política seria essencial e que várias Propostas de Emenda Constitucional (PECs) poderiam ser consideradas para realizar as mudanças necessárias. O debate sobre a reforma constitucional permanece relevante, refletindo as diferentes abordagens dos candidatos em relação a um tema que continua a suscitar discussões no cenário político brasileiro.