A deputada federal Luciene Cavalcanti (PSol-SP) apresentou representações à Procuradora Regional Eleitoral e ao Ministério Público do Trabalho (MPT) contra o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), e o candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro. A parlamentar aponta possíveis práticas de abuso de poder político e assédio eleitoral.
O caso veio à tona após relatos de que Nunes teria reunido servidores e subprefeitos para mobilizar o chamado "Bloquinho do 22", ato em apoio a Flávio Bolsonaro que atraiu cerca de 72 mil pessoas à Avenida Paulista no domingo (18/10). Entre sexta-feira (16/10) e sábado (17/10), servidores de segundo e terceiro escalão, além de subprefeitos, gravaram vídeos ao lado do prefeito convocando para a manifestação.
Segundo a coluna de Demétrio Vecchioli, do Metrópoles, Nunes escalou todos os subprefeitos da cidade para atuar no evento. Alguns deles só haviam pedido votos para o candidato do PL pela primeira vez nas redes sociais durante uma reunião com o prefeito, um dia antes. Ainda conforme a coluna, funcionários comissionados foram orientados a participar do "Encontro com Ricardo Nunes" no antigo comitê de campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos), na Avenida Brasil.
Na representação ao Ministério Público Eleitoral, Luciene argumenta que usar o cargo e a estrutura funcional para compelir ou direcionar a atuação de servidores viola a legislação e compromete a igualdade entre as candidaturas. Já a Notícia de Fato enviada ao MPT aponta possível assédio eleitoral e pede apuração por eventual dano moral coletivo. A deputada requer que os servidores envolvidos sejam ouvidos, com proteção de identidade para evitar retaliações.
A deputada federal Tabata Amaral (PSB) também informou nas redes sociais que acionaria o Ministério Público Eleitoral para apurar o caso. "Se for confirmado, o nome disso é crime eleitoral", escreveu. A Prefeitura de São Paulo foi questionada sobre as representações, mas não havia se manifestado até a publicação.