Marc Weller, que atuou como conselheiro da ONU e mediador em diversos conflitos, sugere que o Brasil deve se preparar para um novo cenário internacional, especialmente em relação ao impacto potencial do retorno de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. Ele observa que a influência americana, particularmente em relação à Venezuela e Cuba, reflete uma interpretação atualizada da doutrina Monroe, que busca consolidar a hegemonia dos EUA nas Américas.
Durante sua participação no Paraty Dialogues, evento organizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), Weller destacou que muitos governos de direita na América Latina apoiam Trump, mas alertou que essa aliança pode resultar na perda de autonomia política para essas nações. "Esses líderes descobrirão que isso significa 'perder sua liberdade'", afirmou o ex-conselheiro.
Weller, que é diretor do Centro de Governança Global e Segurança da Chatham House, comentou que o choque inicial gerado pelo retorno de Trump está diminuindo. Ele enfatizou a importância de olhar para o futuro e preparar-se para as mudanças que podem ocorrer quando Trump deixar a Casa Branca novamente. "O choque do retorno de Trump ao poder está passando", disse ele, sugerindo que essa transição exigirá uma nova abordagem por parte do Brasil e de outros países da região.
O ex-conselheiro também abordou a relevância das ações dos EUA no Oriente Médio e a crescente influência da China como uma potência global. Ele defendeu que o Brasil deve adaptar sua estratégia de Relações Internacionais para lidar com esses novos desafios, ressaltando a necessidade de um posicionamento mais ativo e assertivo no cenário global.
Além disso, Weller comentou sobre o Conselho da Paz, uma iniciativa que surgiu durante a administração Trump, e a legitimidade que buscou ao recorrer ao Conselho de Segurança da ONU. Ele acredita que o entusiasmo em torno desse órgão pode diminuir significativamente após a saída de Trump da presidência, considerando que ele ocupa a posição de presidente vitalício do Conselho, mas sua continuidade nesse papel é incerta devido à sua idade.
Com uma carreira marcada por sua atuação em diversas crises internacionais, Weller, que possui 65 anos, é reconhecido por seu trabalho em mediação de conflitos na Síria, Sudão e nos Bálcãs, entre outros. Seu papel no Departamento de Assuntos Políticos da ONU lhe conferiu uma perspectiva única sobre as dinâmicas de poder e as complexidades das Relações Internacionais atuais.