Entregadores de aplicativo no Distrito Federal enfrentaram intensa resistência ao tentarem furar a greve nacional conhecida como Breque Geral dos Apps, realizada nesta terça-feira (1º/9). Vídeos que circularam nas redes sociais mostram trabalhadores sendo impedidos de retirar e entregar lanches, com a utilização de força física por outros motoboys que aderiram à paralisação.
Em algumas gravações, é possível observar um entregador sendo abordado e coagido a não realizar sua entrega, sendo segurado com violência por outro motoboy. Em outra filmagem, um trabalhador que tentava retirar um pedido foi confrontado, e logo em seguida, cerca de cinco motociclistas formaram um bloqueio ao seu redor, impedindo sua saída. Durante a confusão, o lanche que ele carregava foi jogado no chão.
A Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) foi acionada para averiguar a situação. Após coletar informações do proprietário do estabelecimento e analisar imagens de câmeras de segurança, a equipe conseguiu localizar os motoboys envolvidos na tumultuada situação. No entanto, nenhum deles optou por registrar boletim de ocorrência após serem ouvidos pela polícia.
A mobilização, que ganhou o nome de “Breque Geral dos Apps”, é organizada por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens. Os entregadores reivindicam um aumento nas taxas pagas por corrida e uma maior transparência nos critérios utilizados pelas plataformas para bloquear contas de trabalhadores. Durante a paralisação, os motoboys são instruídos a ficarem off-line nos aplicativos, e ações como buzinaços e carreatas estão previstas em várias cidades como forma de pressionar as empresas e o governo federal.
Em São Paulo, a mobilização contou com a participação de cerca de 100 motoboys, que se concentraram na Praça Charles Miller, no Pacaembu, por volta das 11h30. Após a concentração, o grupo seguiu em manifestação pelas ruas da cidade.
As reivindicações incluem um valor mínimo de R$ 10 para corridas curtas de até 4 km e R$ 2,50 por quilômetro rodado. Os entregadores afirmam que as tarifas atuais não são suficientes para cobrir despesas como combustível e manutenção de veículos. Além disso, pressionam o governo federal pela criação de uma medida provisória que estabeleça taxas mínimas para as entregas realizadas por aplicativos.