A Galeria Base Recife, localizada em Boa Viagem, zona sul da cidade, será o palco da exposição "Ogunhê", do artista Luiz Martins, que será inaugurada no dia 23 de setembro, às 19h. A mostra explora a intersecção entre memória e matéria, refletindo sobre temas como origem, território e identidade.
O título "Ogunhê" faz referência ao orixá Ogum, que simboliza o ferro, os caminhos e a forja. Na tradição iorubá, Ogum é associado à abertura de caminhos, enquanto na Umbanda, "Ogunhê" é uma saudação a esse orixá. Martins utiliza essa conexão para construir uma interpretação visual e filosófica de Ogum, empregando materiais como ferro, madeira e terra em suas obras.
O artista expressa que sua criação é profundamente influenciada pelas vivências em Machacalis, Minas Gerais, um município com forte presença indígena, e pelas memórias de sua infância. Elementos do cotidiano familiar, como a marcenaria de seu pai e os potes de comida de sua avó, servem de inspiração para obras que evocam intimidade e afeto.
Priscyla Gomes, responsável pelo texto crítico da exposição, observa que Luiz Martins busca reviver o passado, transformando-o em algo vivo e presente, quase como se o arquivo de memórias precisasse voltar a ganhar vida no momento atual.
Um dos destaques da exposição é um espaço dedicado ao conceito de purificação, onde serão utilizados dezenas de quilos de sal grosso no piso, enquanto as paredes exibirão obras brancas. Uma mesa branca, também coberta de sal, será adornada com louças brancas e uma taça de cristal contendo água. Os pés da mesa são feitos de ferro, reforçando a simbologia de Ogum como ferreiro e a relação entre o cotidiano e a dimensão espiritual do orixá.
Priscyla conclui que "Ogunhê" transcende ser apenas um título ou uma saudação, configurando-se como a chave para a interpretação do percurso artístico. Ogum, ao abrir caminhos, revela os riscos envolvidos, enquanto forja ferramentas que conectam ofício e modernidade.