A Polícia Federal investiga o senador Flávio Bolsonaro (PL) por suspeita de lavagem de dinheiro em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O caso também envolve o advogado Willer Tomaz, apontado como amigo do parlamentar. A apuração foi confirmada após ser noticiada inicialmente por outro veículo.
A nova investigação teve origem em provas colhidas pela PF no Rio Grande do Sul, dentro de um inquérito sobre pagamento digital e o setor de apostas. Segundo a corporação, foram identificados "elementos indicativos de vínculo de controle ou propriedade de fato de Willer Tomaz sobre a Rede Loto". Documentos mostram que Willer declarou à Receita Federal, em sua declaração de Imposto de Renda de 2024, ser detentor de 24% do capital social da Cathedral Holdings, uma offshore na Ilha da Madeira, em Portugal. Essa empresa é a única sócia da Rede Loto Ltda, primeira a obter licença para operar apostas no Rio de Janeiro e, consequentemente, no Brasil.
A Cathedral Holdings é apontada como empresa "irmã" da Alzacar Holdings, também registrada por Willer na Ilha da Madeira e administrada por Mateo Scudeler. A Alzacar é a empresa cuja conta corrente no Santander tinha Flávio Bolsonaro como "usuário master". Fayla Zulmira Menezes, que pediu ao banco a desassociação, também possuía e-mail corporativo na Cathedral. As duas empresas pagaram despesas do senador, conforme a PF identificou em documentos obtidos durante busca e apreensão contra Willer na Operação Sem Desconto. O advogado é investigado como "hub financeiro" do senador Weverton Rocha (PDT).
Documentos mostram que a Cathedral pagou três voos de Flávio Bolsonaro entre a França e Portugal em 2025. O próprio senador voou em "avião do Willer" quando viajou dos EUA ao Brasil no Legacy 650 que também pertencia a Daniel Vorcaro, preso em Brasília. A cota do advogado na aeronave está em nome da Alzacar. São sócios formais da Cathedral a irmã e a esposa de Willer, além de Jorge Roberto Dias. Devido aos vínculos e ao foro privilegiado de Flávio Bolsonaro, o caso foi remetido ao Supremo, onde o ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator.
A PF afirma que foram identificados diversos elementos que evidenciam proximidade entre Willer e Flávio Bolsonaro, incluindo referências a festas, encontros e reuniões, além de documentos pessoais de Flávio encontrados no iCloud de Willer. A investigação também apura movimentação financeira entre Willer e a casa de apostas Blaze. Uma das contas bancárias do advogado movimentou cerca de R$ 130 milhões entre março e maio de 2025. No total, Willer movimentou R$ 10 bilhões em apostas só na Blaze em 2025. Em 10 de abril, fez cinco depósitos de R$ 1 milhão em uma hora. A PF investiga essas transações e suspeita que Willer seja sócio oculto da Blaze.