Aliados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, têm defendido publicamente a adoção de medidas extraordinárias, incluindo um decreto de lei marcial, caso as eleições legislativas de 3 de novembro sejam consideradas fraudulentas. As propostas, que chegam a incluir a apreensão de cédulas e equipamentos de votação, são discutidas por integrantes do movimento Maga (Faça a América Grande Novamente, na sigla em inglês), alguns com acesso direto ao republicano. Não há evidências de fraude generalizada.
A lei marcial transfere funções civis aos militares, como o policiamento, e pode restringir direitos. Nos EUA, limites constitucionais tornam controverso o poder presidencial de decretá-la unilateralmente. Segundo o Brennan Center, a Suprema Corte nunca decidiu definitivamente se o presidente pode decreta-la sozinho. A Constituição atribui aos estados a administração das eleições e ao Congresso a definição da data das disputas federais.
Questionada, a Casa Branca não respondeu se o presidente discutiu as propostas. A porta-voz Lauren Bis defendeu medidas do governo e acusou os democratas de rejeitarem o combate a irregularidades. "O presidente Trump fez mais do que qualquer outro presidente para garantir que tenhamos eleições livres e justas", afirmou. A porta-voz acrescentou que o governo investiga crimes eleitorais, reforça a segurança da infraestrutura de votação e protege eleitores vulneráveis. A Casa Branca, porém, não esclareceu se Trump concorda com a possibilidade de decretar lei marcial ou se discutiu a proposta com ativistas.
Um dos defensores da medida é Peter Ticktin, advogado e amigo de infância do presidente, que participou, em 30 de setembro, de uma reunião virtual de ativistas conservadores transmitida pela plataforma Rumble. Na ocasião, Ticktin afirmou que seria necessário recorrer à lei marcial diante de outra eleição que considerasse fraudada. Em entrevista ao War Zone Live, em 16 de setembro, já defendia a medida. "Se esta eleição se transformar no desastre de que estou falando, ele terá de decretar lei marcial", disse, em referência a Trump. Ele esteve na Casa Branca em junho com Tina Peters, ex-funcionária eleitoral do Colorado condenada em 2024 por violar equipamentos eleitorais, que voltou a se reunir com Trump neste mês, segundo o Axios.
O Departamento de Justiça planeja enviar cerca de mil observadores pelo país em 3 de novembro, três vezes mais do que na eleição legislativa anterior, segundo a Reuters. O plano preocupou autoridades estaduais, que temem intimidação de eleitores e interferência no pleito. Nesta quarta-feira (21), procuradores-gerais democratas discutiam estratégias jurídicas contra intervenções federais, como a presença de agentes em locais de votação e a apreensão de materiais, segundo o The Guardian.