Parlamentares da oposição no Paraguai estão reunindo apoio para apresentar um pedido de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A articulação ocorre depois que o Banco Central do país deu início ao procedimento de resolução do Ueno Bank. O senador Rafael Filizzola afirmou que um grupo prepara a acusação e busca adesão de outros setores. Até a manhã desta terça-feira (3), o pedido ainda não havia sido protocolado formalmente.
A decisão do Banco Central suspendeu todos os serviços do Ueno. Clientes estão sem acesso ao aplicativo e ao internet banking, não conseguem consultar saldos, fazer transferências, usar cartões ou sacar em caixas eletrônicos. Diante da impossibilidade de movimentar os recursos, correntistas compareceram às agências e caixas, formando filas e aglomerações em diferentes pontos do país.
O BCP determinou a resolução após constatar que o índice de solvência do banco caiu para menos da metade do mínimo exigido. A instituição informou ter enviado cerca de 120 funcionários às agências para levantar ativos e obrigações. O cadastro dos depositantes, necessário para organizar a devolução dos recursos, ainda aguardava instruções detalhadas sobre canal, documentos e prazos de registro.
A lei garante depósitos de até Gs. 228,3 milhões por pessoa e por instituição. O prazo para honrar essa cobertura é de até 15 dias corridos desde a resolução, com possibilidade de prorrogação por mais 15 dias mediante decisão fundamentada. Para valores acima do limite, o BCP afirmou que buscará proteger o máximo possível, mas a recuperação dependerá do balanço de ativos e passivos.
Yolanda Paredes e Raúl Benítez também defenderam o impeachment de Peña. A oposição relaciona a crise bancária a possíveis responsabilidades políticas do governo. O Banco Central abriu investigação administrativa, sem conclusão definitiva até o momento. Carlos Carvallo, presidente do BCP, comandou o Ueno até agosto de 2023; Peña foi sócio empresarial do grupo controlador até março de 2025. O Banco Central afirma que Carvallo se declarou impedido de participar das decisões sobre a instituição, e o Ueno declarou à Reuters que Peña não foi acionista nem investidor do banco. Para avançar, a Câmara dos Deputados precisa aprovar a acusação por dois terços dos votos; depois, o Senado julga o caso.