Apesar dos avanços na segurança alimentar, que retiraram o país do mapa da fome da ONU, e da implementação de programas sociais como o Bolsa Família, a desigualdade persiste no Brasil. Um indicador alarmante é o aumento da população em situação de rua, que saltou de 144 mil em 2019 para 350 mil em 2025, segundo dados do CadÚnico do governo federal. Esse crescimento contradiz o contexto de melhoria geral nas condições de vida, mas reflete a dura realidade da desigualdade.
A situação não se restringe a fatores políticos ou econômicos. Embora a conjuntura influencie os programas de combate à desigualdade, implementados pelos governos nas esferas federal, estadual e municipal, a recuperação econômica e a geração de empregos nem sempre se traduzem em oportunidades para os habitantes de áreas vulneráveis. A diminuição da fome em algumas regiões não elimina a falta de refeições regulares para muitos, especialmente aqueles em situação de rua.
Um sociólogo do Ipea, em entrevista, ressaltou a falta de expansão proporcional de abrigos, albergues e centros de apoio à população de rua em relação a outros benefícios sociais. A ausência de políticas inclusivas focadas no problema agrava a situação, mesmo em comunidades que experimentam melhorias em outros aspectos.
Mais da metade dos municípios brasileiros registram pessoas vivendo nas ruas. Desde 2023, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a remoção forçada e a instalação de obstáculos para afastar essa população. A responsabilidade de enfrentamento da questão recai sobre prefeituras, governos estaduais e governo federal, além dos poderes Legislativo e Judiciário. A prevenção da situação de rua demanda a oferta de múltiplos apoios e benefícios para garantir dignidade a quem vive em extrema vulnerabilidade.
A superação do problema exige a integração de políticas públicas, compromisso constante e sensibilidade social por parte dos representantes do povo, das instituições e da sociedade. A indiferença diante das pessoas em situação de rua agrava a deterioração de suas vidas. No caso do poder público, a omissão aprofunda a desigualdade.