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Comportamento do consumidor muda com o aumento do endividamento no Brasil

Crescimento da inadimplência e do endividamento leva consumidores a evitar compras a crédito, mesmo com limites aprovados. Dados mostram que 82% das famílias estão...

Os dados mais recentes do Banco Central, divulgados no final do mês, revelam um aumento significativo na Taxa Total de Inadimplência, que alcançou 4,9%, a maior em 12 meses. A inadimplência entre pessoas físicas subiu para 5,8%, enquanto no segmento de crédito com recursos livres, esse índice atingiu 6,4%. As operações com pessoas jurídicas também registraram alta, situando-se em 4,2%, e o endividamento das pessoas físicas subiu para 7,8%.

O cenário atual, com R$ 7,37 trilhões em empréstimos, apresenta uma curiosidade: R$ 4,64 trilhões estão atrelados ao CPF, enquanto apenas R$ 2,73 trilhões referem-se a operações com CNPJ. Essa situação revela um quadro de dificuldades que se agrava, com previsões sombrias para a economia brasileira em 2027, após anos de estímulo via crédito.

De acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o endividamento das famílias brasileiras atingiu um nível alarmante em julho de 2026, com 82% das famílias se encontrando nessa situação. Entre 2019 e 2022, o percentual de famílias endividadas saltou de 64,1% para 78%, mantendo-se estável até 2025. No entanto, a elevação da taxa Selic em 2025 intensificou a crise, refletindo diretamente no comportamento do consumidor.

Com a economia não respondendo aos programas de incentivo, como o Reforma Casa Brasil, que possui um orçamento de R$ 40 bilhões, mas apenas R$ 4 bilhões foram emprestados para reformas, a situação só se agrava. O programa Desenrola, que renegociou R$ 44,1 bilhões em dívidas, mostra que, mesmo com crédito disponível, os consumidores hesitam em assumir novas prestações.

Esse contexto resulta em uma diminuição nas vendas do varejo, que enfrenta um cenário de concorrência acirrada, inclusive com as apostas online. O consumidor, endividado, acaba por reduzir até mesmo suas compras essenciais, impactando diretamente as vendas a crédito. A adaptação do varejo a essa nova realidade é visível, com atacarejos e supermercados ajustando suas ofertas para atender a um público que cada vez mais opta por compras menores.

Portanto, o cenário que se desenha para o varejo é preocupante, com a possibilidade de uma crise mais profunda à medida que o comportamento do consumidor muda em resposta ao crescente endividamento e à incerteza econômica.

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