Em uma recente declaração, o presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Olavo Noleto, expressou sua preocupação com a atual taxa de juros, que ele considera um obstáculo significativo para o setor produtivo no Brasil. Noleto afirmou que o país já apresenta condições macroeconômicas favoráveis para a redução dos juros, enfatizando que a taxa Selic, atualmente em quase 15%, é injustificável. "Os juros têm que baixar e a indústria sofre com o juro de quase 15% na Selic. É um absurdo", afirmou durante uma entrevista.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, em uma tentativa de estimular a economia, reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual no início de agosto, passando de 14,25% para 14% ao ano. No entanto, Noleto defende que essa medida ainda não é suficiente para atender às necessidades do setor industrial.
Além dos juros, Noleto também comentou sobre as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil em julho, classificando a situação como uma "guerra comercial". Ele destacou que o governo brasileiro busca manter boas relações com os EUA, apesar de ações que considera irresponsáveis por parte do governo norte-americano. "O governo brasileiro nunca saiu da mesa de negociação. A questão é política comercial", disse.
O presidente da ABDI acredita que a imposição de tarifas pelos EUA pode fortalecer o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. Segundo ele, a atual confusão geopolítica criada pelos EUA apresenta uma oportunidade para o Brasil. "Todo mundo entendeu que a geopolítica mudou e que seria importante para os dois lados acelerar com esse acordo", comentou.
Noleto também se posicionou sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que visa o fim da escala 6 X 1, dizendo que essa mudança é essencial para a defesa da economia brasileira. Ele alertou que se o Brasil não avançar nas condições de trabalho, isso pode ter consequências negativas para o futuro do mercado de trabalho no país.
Por fim, o presidente da ABDI se manifestou sobre a proposta do candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema, de privatizar a Petrobras e o BNDES. Noleto considerou essa ideia impraticável, argumentando que a indústria e o setor produtivo do Brasil não suportariam a venda dessas instituições. "Como a indústria ia se financiar nos dias atuais sem o BNDES? O Brasil não suportaria a venda do BNDES e da Petrobras", concluiu, reforçando a importância dessas entidades para a economia nacional.