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El Salvador planeja libertar 46.000 detentos em programa de segurança

O presidente Nayib Bukele anunciou a intenção de soltar metade dos presos em El Salvador, em um evento voltado para investimentos. A medida ocorre...

Na última terça-feira, 13 de outubro de 2026, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, revelou a jornalistas sua intenção de promover uma libertação antecipada e condicional para 46.000 detentos, o que representa aproximadamente 50% da população carcerária atualmente envolvida na guerra contra as gangues, que deteve cerca de 93.000 indivíduos. O anúncio foi feito durante um evento dedicado a investimentos em energia, promovido pelo grupo espanhol COx, conforme informações de agências internacionais.

Bukele mencionou que o plano beneficiaria detentos que colaboraram com as autoridades, esclarecendo que aqueles que alertaram sobre a chegada da polícia seriam considerados culpados, mas questionou a gravidade dessa culpa. No entanto, ele não forneceu detalhes adicionais sobre como esse programa seria implementado.

O modelo de segurança adotado em El Salvador, conhecido como "modelo Bukele", é frequentemente citado como referência pela direita brasileira e já recebeu elogios do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, do PL do Rio de Janeiro. Em agosto de 2026, Flávio afirmou ter se inspirado na abordagem salvadorenha para desenvolver seu próprio programa de segurança pública.

Na mesma data em que Bukele fez seu anúncio, Flávio Bolsonaro declarou que o modelo de El Salvador seria insuficiente para o Brasil, prometendo implementar medidas mais rigorosas contra a criminalidade. Entre suas propostas, ele mencionou a criação de mais de 500 mil vagas em presídios e a castração de condenados por crimes sexuais.

O "modelo Bukele" é caracterizado pelo encarceramento em massa e pela adoção de medidas excepcionais no combate às gangues. Desde março de 2022, El Salvador vive sob um estado de exceção, que foi renovado sucessivamente e que suspende garantias constitucionais, permitindo prisões sem ordem judicial. Até agosto de 2025, essa situação já havia sido prorrogada 41 vezes.

Entretanto, essa política tem gerado críticas por parte de organizações internacionais de Direitos Humanos. Em agosto de 2025, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos emitiu um alerta sobre relatos de prisões ilegais e arbitrárias, tortura, violações do acesso à Justiça e mais de 400 mortes de pessoas sob custódia do Estado, ressaltando os impactos negativos da abordagem de Bukele.

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