O crescimento da população idosa no Brasil tem levado especialistas a defender mudanças na estrutura de hospitais e residências. A arquiteta Fernanda Ventura, da HFacilities, e Arine Rodrigues, especialista em longevidade e CEO da Rede50mais e da Vida60+Expo, discutiram o tema no episódio 93 do videocast Saúde e Bem-estar, durante a 14ª edição da feira HospitalMed.
Segundo Fernanda Ventura, o planejamento arquitetônico dos serviços de saúde precisa considerar as necessidades de pacientes e profissionais, com espaços que favoreçam circulação, segurança e autonomia. Ela apontou problemas como rampas inadequadas, corredores estreitos e banheiros que não atendem pessoas com mobilidade reduzida, além de defender mais acessibilidade nos quartos de internação. A humanização também depende de iluminação natural e rotinas adequadas, especialmente em UTIs, para evitar desorientação e prejuízos cognitivos em idosos.
As adaptações necessárias vão além dos hospitais. Em casa, medidas como retirar tapetes soltos, ajustar a altura de camas e mesas de cabeceira, trocar maçanetas por modelos de alavanca e garantir banheiros acessíveis e portas largas para cadeiras de rodas ajudam a prevenir quedas. Para Fernanda, o planejamento deve ser feito antes de acidentes ou perdas de mobilidade. A arquiteta também diferenciou independência, capacidade de realizar tarefas sem ajuda, de autonomia, o direito de fazer escolhas e decidir sobre a própria vida.
Arine Rodrigues afirmou que o país ainda enfrenta dificuldades para se preparar para uma realidade em que mais pessoas chegam aos 60, 70, 80 anos ou mais. Ela destacou as diferenças sociais entre os idosos: parte enfrenta dificuldades financeiras e acúmulo de responsabilidades familiares, enquanto outra parcela tem maior poder de consumo, mas pouca representatividade em campanhas publicitárias e produtos. O planejamento da longevidade, segundo ela, envolve renda, trabalho, convivência social, acesso à tecnologia e relações entre gerações.
Outro ponto debatido foi a necessidade de ampliar hospitais e clínicas de transição e reabilitação para pacientes que recebem alta hospitalar mas ainda precisam recuperar capacidade funcional antes de voltar para casa. Fernanda vê nesse tipo de estrutura uma oportunidade para o setor de saúde, desde que o planejamento dos espaços e a integração entre infraestrutura e assistência acompanhem as necessidades de uma população que vive cada vez mais.