O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá destinar até R$ 9 bilhões à compra de dívidas de pessoas físicas e microempreendedores individuais no Desenrola 3.0. O cálculo parte de uma carteira estimada em R$ 90 bilhões e do desconto mínimo de 90% que será exigido das instituições financeiras participantes do leilão.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, informou nesta quarta-feira (21.out.2026) que o edital para identificar bancos e fundos interessados em vender suas carteiras será publicado na quinta-feira (22.out.). A medida integra o pacote de renegociação de débitos anunciado em ano eleitoral, às vésperas do segundo turno. Segundo o secretário-executivo da pasta, Rogério Ceron, caso os R$ 90 bilhões sejam ofertados, a aquisição de toda a carteira exigiria no máximo R$ 9 bilhões, considerando o desconto mínimo de 90%.
O montante não representa despesa já autorizada. Durigan afirmou que o governo avaliará o volume das dívidas oferecidas, as faixas de renda dos devedores e as condições fiscais antes de definir o gasto efetivo. "Não necessariamente será sobre todo o montante dos R$ 90 bilhões", declarou o ministro.
O programa terá como alvo dívidas com atraso de 2 a 4 anos e meio. A competição entre as instituições poderá elevar os descontos para 93%, 95% ou mais, Segundo Durigan. Ceron afirmou que os deságios poderão chegar a 95%, 96% ou 97%, reduzindo o desembolso necessário. A Fazenda pretende priorizar devedores de menor renda, mas também receberá informações sobre dívidas de pessoas que ganham mais de 5 salários mínimos. A definição dos beneficiários dependerá do volume de créditos apresentado pelos bancos.
O edital será direcionado exclusivamente aos credores. Bancos, fundos de investimento em direitos creditórios e outras instituições terão 5 dias úteis para informar as carteiras que pretendem oferecer. Essa manifestação será obrigatória para participar do leilão de compra, previsto inicialmente para novembro, com possibilidade de ficar para o começo de dezembro. Durigan criticou a proposta de renegociação apresentada pelo candidato de oposição, Flávio Bolsonaro, que classificou como "calote generalizado no sistema financeiro". Segundo o ministro, o modelo do governo busca preservar as instituições financeiras e recuperar a capacidade de endividamento das famílias. O impacto fiscal efetivo ainda é desconhecido, e a Fazenda não informou a dotação orçamentária nem o volume final de recursos públicos destinados ao programa.