O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) aplicou R$ 2 milhões em multas por incêndios florestais ilegais na Amazônia, que nas últimas semanas cobriram de fumaça a capital Manaus. Em sete dias de operações, foram lavrados 19 autos de infração e embargados 250 hectares.
As autuações ocorreram nas cidades de Autazes e Carreiro da Várzea, na região metropolitana de Manaus. O presidente do Ibama, Jair Schmitt, afirmou que as equipes verificam áreas queimadas para identificar os responsáveis e classificou os incêndios como criminosos, sem autorização de nenhum órgão. Segundo ele, em alguns casos o fogo ultrapassou cercas e invadiu áreas públicas e outras propriedades.
O Amazonas registrou 8.177 focos de incêndio neste ano, aumento de 111% em relação ao intervalo de 1º de janeiro a 18 de outubro de 2025, mas 49% abaixo da média histórica do estado, conforme dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). No bioma amazônico, foram 40.633 focos até agora em 2026, alta de 62% ante o mesmo período do ano passado e 47% abaixo da média histórica.
O Ministério Público Federal pediu no domingo (18) a instalação, em até 72 horas, de uma sala de situação interfederativa em Manaus, a criação de força-tarefa e a suspensão de autorizações para queima. O procurador André Luiz Porreca informou que, em reunião no sábado (17) entre órgãos que tratam do tema, houve consenso de que a maioria dos incêndios tem natureza criminosa, tradicionalmente ligada à pecuária, sem descartar outras motivações, inclusive políticas. Participaram representantes do Ibama, da Polícia Federal, do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil do Amazonas.
No sábado, a Polícia Militar do Amazonas prendeu 11 pessoas por suspeita de envolvimento com as queimadas. Uma comitiva do governo federal visitou a região no domingo, com os ministros João Paulo Capobianco (Meio Ambiente e Mudança do Clima), Wellington César Lima e Silva (Justiça e Segurança Pública), José Múcio Monteiro (Defesa) e Waldez Góes (Integração e Desenvolvimento Regional). A expectativa é que o contingente no estado chegue nesta semana a 400 brigadistas e 16 aeronaves, após a fumaça ter impedido algumas operações de combate ao fogo.