O Instituto Brasileiro de Jogo Responsável (IBJR) lançou a campanha "Aposto que você não sabia", com o objetivo de combater a propagação de informações falsas sobre o setor de apostas de quota fixa. A ação inclui mensagens exibidas nos uniformes de clubes do futebol brasileiro e em placas de publicidade à beira do campo, segundo o instituto.
A campanha é ancorada no portal apostoquevocenaosabia.com, descrito como uma plataforma de conteúdos públicos e independentes mantida pelo IBJR para centralizar dados e realizar a checagem de fatos sobre o setor. O material apresenta as obrigações e contrapartidas do mercado regulado antes da medida provisória que proibiu a atividade no país.
O presidente-executivo do IBJR, Carlos Lima, afirmou que a proibição não fez a procura por apostas desaparecer, apenas abriu espaço para o mercado ilegal e retirou as proteções de quem aposta. Segundo ele, muitos atribuem ao mercado regulado problemas que também decorrem do ilegal, e boa parte dos dados e pesquisas divulgados não faz essa distinção, o que leva o debate a se basear em desinformação.
A campanha organiza os dados do setor em quatro mensagens principais. Um estudo da LCA Consultoria Econômica encomendado pelo IBJR estima que, antes da proibição, o mercado ilegal representava até 44% do mercado de apostas em 2026, com receitas anuais de até R$ 43,3 bilhões e arrecadação potencial não recolhida de R$ 12 bilhões por ano. Pesquisa do Instituto Locomotiva a pedido do IBJR mostra que 50% dos apostadores relataram práticas que indicam o uso de plataformas irregulares. Segundo o IBJR, em 2025 a Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda, registrou 1.255 comunicações relacionadas a pessoas com indícios de transferências para empresas não autorizadas. A LCA estima que o mercado legal movimentaria cerca de R$ 54,3 bilhões em receitas anuais; somado ao ilegal, o total poderia chegar a R$ 97,6 bilhões por ano.
Levantamento divulgado pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) em outubro deste ano identificou mais de 30.000 links de apostas ilegais ativos no país. O mercado regulado exigia verificação de identidade com CPF, documento e reconhecimento facial, proibia depósitos por cartão de crédito e criptomoedas, além de bônus de entrada, e estabelecia limites de depósito e tempo de uso das plataformas. Dados da SPA apontam mais de 1,2 milhão de pedidos voluntários de autoexclusão, e o Sistema de Gestão de Apostas (Sigap) registrou o bloqueio de cerca de 3 milhões de usuários por recebimento de benefícios sociais. De janeiro a setembro de 2026, a Receita Federal arrecadou R$ 11,12 bilhões com atividades de exploração de jogos e apostas, alta real de 55% sobre o mesmo período de 2025. Em 2025, as destinações legais das apostas de quota fixa somaram R$ 4,53 bilhões para esporte, turismo, segurança, educação, saúde e outras áreas. A LCA estima que até R$ 73 bilhões em arrecadação poderiam ficar em risco de 2027 a 2030 com a proibição, considerando um cenário no qual até 100% da demanda migre para operadores ilegais. A consultoria também aponta risco de disputas judiciais pelas 85 outorgas, de R$ 30 milhões cada uma e validade de 5 anos, totalizando R$ 2,55 bilhões, sem incluir investimentos em pessoal, tecnologia e contratos. No futebol, a proibição compromete patrocínios que superaram R$ 1,1 bilhão em 2025.