Nos últimos anos, o Partido dos Trabalhadores (PT) alterou significativamente sua posição em relação a Alexandre de Moraes. Em 2017, durante a indicação de Moraes ao Supremo Tribunal Federal (STF) feita por Michel Temer, a bancada petista no Senado se manifestou contra a nomeação e criticou severamente o escolhido.
Na época, a então líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann, expressou que a legenda "lamentava muito a indicação". Ela questionou principalmente o fato de Moraes ter ocupado um cargo de confiança no governo Temer, além de destacar seu histórico político como motivo para preocupação. Gleisi argumentou que o perfil de Moraes apresentava um "nível partidário, político, militante" que não era apropriado para o cargo no STF.
As críticas feitas pelo PT não se restringiam apenas ao passado de Moraes. A senadora também expressou preocupações sobre a postura do indicado em relação a movimentos sociais, manifestações populares e, em especial, ao próprio PT e outras legendas de oposição. Na análise de Gleisi, existia um risco de que Moraes pudesse levar suas convicções políticas para o Judiciário.
Apesar da oposição do PT, a votação no Senado resultou favorável a Moraes, que teve sua indicação aprovada por 55 votos a 13. A bancada petista, embora tenha manifestado sua contrariedade, não conseguiu impedir a nomeação.
Quase uma década depois, o cenário político se transformou. Moraes se consolidou como uma figura central no STF e passou a contar com o apoio do PT, especialmente em virtude de sua atuação em processos relacionados aos eventos de 8 de janeiro e a bolsonaristas. Essa mudança de postura é notável, uma vez que as críticas do PT em 2017 se baseavam na possibilidade de Moraes adotar uma postura política dentro do Judiciário.
O mesmo ministro que anteriormente era considerado inadequado, possivelmente autoritário e com um passado político que levantava suspeitas entre os petistas, se tornou, anos depois, um dos principais alvos de apoio da legenda, especialmente com vistas a 2026.