Cerca de 60% dos profissionais que utilizam motocicletas para trabalho ou como meio de transporte urbano já enfrentaram incidents no trânsito. O dado, que alcança 59,8%, é um dos principais resultados de uma pesquisa apresentada durante a Cúpula Nacional Movimento Brasil SOBRE Duas Rodas, realizada em São Paulo no dia 10 de setembro. A pesquisa foi conduzida pelo Instituto Qualisa de Gestão (IQG) em parceria com a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e a Federação das Indústrias de Pernambuco (Fiesp), e envolveu 23.240 participantes em 27 estados, dos quais 21.832 são motociclistas que utilizam suas motos como ferramenta de trabalho.
Um ponto significativo do levantamento é que a falta de informação SOBRE os RISCOS não é o problema. A Vértea – Academia de Estudos Avançados em Saúde Sustentável, parte do IQG, criou o Índice Global de Cultura de Segurança, onde a dimensão individual, que avalia a consciência do risco e a autoconfiança do motociclista, obteve uma nota de 91,3, considerada extremamente alta.
Além DISSO, a pesquisa revelou que 96% dos entrevistados reconhecem os RISCOS associados à condução de motocicletas, demonstrando uma alta percepção SOBRE a segurança no trânsito. Esses dados sugerem que campanhas educativas isoladas não são suficientes para alterar o cenário de violência viária no Brasil, onde o trânsito é responsável pela morte de aproximadamente 35 mil pessoas anualmente.
A análise regional também traz à tona informações relevantes. Os estados do Paraná e Piauí lideram o Índice Geral de Cultura de Segurança, ambos com 66,3 pontos, enquanto o Acre apresenta o menor índice, com 61,2. Em Pernambuco, 49,9% dos motociclistas profissionais relataram já ter se envolvido em algum tipo de sinistro, um percentual ligeiramente inferior à média nacional.
Os dados reforçam a discussão SOBRE a necessidade de regulamentação do transporte de passageiros por meio de motos em áreas metropolitanas. A pesquisa indica que a formação e a conscientização dos motociclistas, por si só, não são suficientes para garantir a segurança viária. O modelo de remuneração e a organização do trabalho, que frequentemente exigem jornadas longas e intensas, aumentam a exposição ao risco. Portanto, é essencial que o poder público e as plataformas de mobilidade colaborem na busca por melhorias estruturais nas condições de uso das motocicletas nas cidades brasileiras.