A decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de estender a votação do segundo turno das Eleições de 2026 até as 19h, anunciada por volta das 17h, gerou dúvidas nos locais de votação do Distrito Federal. O Tribunal Regional Eleitoral do DF informou que não prorrogaria o horário, alegando falta de tempo hábil para comunicar todas as seções e o fato de parte das urnas já ter transmitido os dados.
No Centro de Ensino Médio Elefante Branco (CEMEB), na 908 Sul, a eleitora Jennifer Bombonati conseguiu votar após a prorrogação. Ela estava viajando de carro, havia solicitado justificativa eleitoral na estrada e, ao saber da decisão, mudou os planos e foi até a escola. "Estava chegando em Brasília e sabia que não ia dar tempo de chegar e votar. Quando eu descobri, corri para cá e consegui entrar para votar. Fiquei muito feliz", relatou.
Na mesma escola, a advogada Priscila Paz Godoy, da Federação Brasil da Esperança, percorreu seções para informar os mesários sobre a decisão do STF. Segundo ela, uma presidenta de seção relatou ter recebido por WhatsApp uma orientação atribuída ao TRE para encerrar a votação, sem ofício ou documento oficial. Priscila afirmou que um supervisor também disse ter recebido a mesma orientação pelo aplicativo. A equipe jurídica da federação orientou os responsáveis a registrar em ata o recebimento da mensagem e a ocorrência.
Pouco depois do anúncio de Zanin, os equipamentos já estavam desligados, boletins de urna emitidos e cartuchos retirados na Escola Classe 403 Norte, na Asa Norte. Uma das responsáveis por seção informou ter recebido determinação atribuída à juíza da 14ª Zona Eleitoral para encerrar os trabalhos às 17h, sem prorrogação. Mesários e fiscais ficaram sem orientação sobre como proceder.
A enfermeira Mahartha de Figueiredo, que estava em deslocamento de Recife para Brasília com chegada prevista às 15h, chegou à Escola Classe 403 Norte pouco depois das 17h. Após o comunicado sobre o encerramento, foi embora sem conseguir votar. A decisão de Zanin atendeu a pedido da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), motivado por relatos de dificuldades de transporte de eleitores. O Partido Liberal também entrou com pedido semelhante, alegando prejuízo nas zonas eleitorais de São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O ministro retificou a decisão inicial para determinar que a votação prosseguisse apenas nas seções onde as urnas ainda não tivessem sido lacradas.