A discussão sobre Transporte Público em Pernambuco tem sido praticamente negligenciada nas campanhas eleitorais, uma situação que se repete a cada pleito. Enquanto temas como segurança, saúde e geração de emprego dominam as falas dos CANDIDATOS ao governo do estado, a mobilidade urbana, que impacta o dia a dia de milhões de pessoas na Região Metropolitana do Recife (RMR), aparece como uma questão secundária ou, em muitos casos, ausente das propostas apresentadas até o momento.
Essa lacuna levou o setor de transporte coletivo a tomar uma iniciativa. O Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Pernambuco (Urbana-PE) enviou um conjunto de perguntas diretas aos CANDIDATOS, exigindo esclarecimentos sobre questões que afetam diretamente a rotina de quem depende do sistema público de transporte. Essa ação reflete a frustração de operadores e técnicos da área, que observam que decisões sobre gestão, financiamento e infraestrutura do Transporte Metropolitano, incluindo o Metrô do Recife, continuam sendo adiadas a cada eleição.
As perguntas formuladas pelo setor abordam temas cruciais para a operação e a administração do transporte na RMR. Um dos pontos centrais diz respeito ao futuro do Consórcio de Transporte Metropolitano (CTM), questionando se ele será mantido e fortalecido como uma instância metropolitana efetiva e como as responsabilidades financeiras serão distribuídas entre os municípios que participam das decisões do sistema.
Embora as perguntas tenham sido oficialmente enviadas aos CANDIDATOS ao governo de Pernambuco, até o momento, apenas dois deles apresentaram respostas. A falta de posicionamento claro em relação ao Transporte Público tem gerado preocupação entre os representantes do setor, que desejam compromissos concretos e prazos definidos para as melhorias necessárias.
Outro ponto levantado refere-se ao horizonte para a descarbonização e climatização da frota de ônibus. Um dos CANDIDATOS, Ivan Moraes, afirmou que pretende estabelecer um programa de transição para a frota metropolitana, com metas progressivas que assegurem que todas as novas aquisições do sistema adotem tecnologias de baixa ou zero emissão. O objetivo é alcançar a descarbonização total da frota até 2040, enquanto a climatização deve ser um padrão obrigatório na renovação dos veículos, com a meta de universalização antes da conclusão da transição energética.
O financiamento para esse processo deve envolver o Fundo Estadual do Transporte Metropolitano, recursos estaduais, transferências e programas federais, operações de crédito e recursos climáticos. Além disso, o planejamento deve considerar a aquisição de veículos, baterias e carregadores de forma integrada, assim como a infraestrutura necessária para as garagens e a gestão das baterias ao final de sua vida útil.