A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) publicou nesta sexta-feira (23.out.2026) uma nota para esclarecer quais instâncias têm autorização para se pronunciar oficialmente em nome da instituição. O texto foi divulgado um dia após 47 bispos e arcebispos assinarem uma carta com críticas à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.
De acordo com a nota, o estatuto da CNBB define que a Assembleia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência podem se manifestar oficialmente pela conferência. As comissões episcopais, grupos responsáveis por áreas específicas de atuação da Igreja, também podem se pronunciar sobre os temas sob sua responsabilidade, desde que estejam de acordo com o Conselho Permanente. Já os conselhos episcopais regionais podem falar sobre assuntos de sua área, respeitando as orientações nacionais da CNBB. No dia a dia, cabe à Presidência falar oficialmente em nome da instituição.
O documento também afirma que nenhuma outra pessoa ou organização pode falar oficialmente pela conferência. "Nenhuma pessoa física ou jurídica tem capacidade e habilitação canônica e cível para se pronunciar oficial e legitimamente em nome da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), além daquelas precedentemente citadas", diz o texto.
A carta dos religiosos, divulgada na quinta-feira (22.out), foi endereçada ao "povo de Deus" e trata do 2º turno das eleições presidenciais. O documento não cita Flávio Bolsonaro nominalmente, mas afirma que sua candidatura ameaça a democracia, a soberania nacional e o bem comum. Os bispos também criticam posições do senador sobre armas, meio ambiente, direitos dos trabalhadores e tortura. Os signatários são de diferentes regiões do país e dizem estar em comunhão com a CNBB, além de alinhados à mensagem do Conselho Permanente divulgada em 21 de outubro, que defende a participação consciente dos eleitores e o respeito à Constituição e aos resultados das urnas.
A publicação da carta ocorreu após desentendimentos entre Flávio Bolsonaro e a CNBB durante a campanha eleitoral. Em setembro, o senador disse que o PT teve ajuda de pessoas ligadas à conferência para divulgar uma informação falsa sobre uma suposta intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A CNBB negou ter produzido, participado da elaboração ou divulgado informações falsas relacionadas ao processo eleitoral e declarou que não apoia candidatos ou partidos. Em outra ocasião, dom Vicente Ferreira, bispo da Diocese de Livramento de Nossa Senhora (BA), criticou declarações da família Bolsonaro sobre a CNBB. O religioso integra a Comissão de Ecologia Integral e Mineração da instituição.